Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 22/10/2018

Cuidar do usuário, não das drogas

No século xix, a população chinesa sofreu a dependência do ópio, que culminou na guerra contra os Ingleses responsáveis pelo tráfego. Ainda hoje, estados nacionais como o Brasil, tentam tratar os dependentes químicos e combater o tráfico de drogas, porém sem resultados satisfatórios devido à complexidade do tratamento dos dependentes, e a sua intrínseca relação com o crime organizado, isto é, facções criminosas.

O estado brasileiro tenta combater a entrada de drogas pelas fronteiras sem exito devido à grande extensão territorial, mais de oito milhões de quilômetros quadrados. Diante desse impasse, o combate se dá também com a polícia ostensiva, através da prisão de pessoas com pequena quantidade de drogas, cujo resultado é prisões superlotadas e controladas por facções criminosas.

Outrossim, o excesso de processos, que gera morbidez no sistema judicial brasileiro, impede que esses usuários de drogas presos sejam julgados e encaminhados para um tratamento de desintoxicação. Destarte, tais dependentes químicos são obrigados a entrarem para as facções criminosas que comandam as cadeias, como o PCC e o Comando Vermelho.

Assim o estado brasileiro não cumpre o papel de combate às drogas, aumenta o poder das facções criminosas, e continua com gastos absurdos em segurança pública, desde manutenção de penitenciárias até com polícia ostensiva. Estes gastos poderiam ser destinados ao tratamento dos dependentes químicos, que tanto clamam por uma segunda chance, mas não conseguem sair desse abismo, tendo as facções como escolas do crime e a forma de manter o seu vício.

Concluímos que a legislação pode contribuir para um melhor destino dos usuários, determinando-se a quantidade mínima de drogas que ele consome na semana e, quando encontrado com quantidade abaixo desta, não seja classificado como traficante e, sim, encaminhado para um tratamento químico. Ademais, o estado precisa intensificar o orçamento para o tratamento de dependentes, com o acompanhamento adequado, mediante o ministério da saúde.