Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 31/10/2018
A Alemanha adotou a percepção do vício como uma doença, possibilitando a descriminalização do dependente, o que melhorou no tratamento dos dependentes químicos. Já no Brasil, a realidade é diferente e as causas desse desafio são as políticas de drogas do país e o posicionamento conservador da sociedade.
Primeiramente, é preciso ressaltar a política de drogas brasileira como algo falho. Isso se evidencia pelos investimentos governamentais que se referem ao abuso de substâncias químicas estão focados na punição como solução, tomando como base a política de “guerra às drogas”. Seguindo a linha da teoria do corpo social do sociólogo Durkheim, essa política de drogas brasileira não funciona harmonicamente como deveria, dificultando o tratamento desse dependente químico.
Além disso, os dependentes químicos enfrentam o obstáculo do preconceito, oriundo do posicionamento conservador da maioria da população. De acordo com a psicanálise lacaniana, o sujeito precisa ser tratado na sua singularidade – modelo que não é observado no Brasil ao se referir a essa temática, visto que o cidadão é pluralizado, além de excluído do contato social. Desse modo, o ambiente para tratar o sujeito dependente não é condizente com o reingresso dele no convívio social, gerando, por exemplo, recaídas.
Portanto, fica evidente que medidas precisam ser tomadas. Desse modo, cabe ao Estado brasileiro promover mudanças na legislação, principalmente por meio dos seus representantes políticos, referentes às drogas, de modo que descriminalização as drogas e o usuário. No mais, o sistema educacional necessita promover mudanças na visão do senso comum, que evita tratar do tema por receio. Só assim os usuários de químicos poderão possuir sua dignidade e assim como na Alemanha, melhorará o tratamento dos dependentes químicos de maneira mais humanizada.