Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 24/10/2018

O Brasil têm enfrentado um aumento no número de dependentes químicos, desde de 2001, conforme divulgado pelo site Hoje em dia. Segundo o relatório Mundial sobre drogas, divulgado em 2008, o Brasil tem cerca de 870 mil dependentes químicos. De fato, tal estimativa corrobora o principal fator da problemática: as falhas nas políticas públicas.

De acordo com a Constituição vigente, todo cidadão possui direito à saúde. No entanto, é possível constatar que, na prática, esse direito não é assegurado. Os usuários de drogas enfrentam dificuldades para encontrar tratamento, visto que, o atual sistema de recuperação é precário, não possuindo vagas suficientes para a demanda crescente, bem como a falta de um corpo clínico adequado – como psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais – durante todo o tratamento, de modo a tratar o dependente e não somente sua dependência química.

Ademais, não é, no entanto, responsabilidade única do Estado a atual situação dos dependentes químicos. Como afirmou Sérgio Buarque, em sua obra “Raízes do Brasil”, os brasileiros estão acostumados a tratarem o Estado como um pai, deixando todas as questões político-sociais em suas mãos. Com a finalidade de ajudar os usuários, cabe à sociedade abandonar essa característica patrimonialista e exigir mudanças, sem depender do governo ou de agências publicitárias, encarando a dependência como uma doença.

Percebe-se, destarte, que para ser minimizado e controlado o número de dependentes químicos, necessita de uma ação conjunta entre o Estado, o Ministério da Educação (MEC) e os cidadãos. O governo federal, disponibilizar mais verba para a contratação de casas de recuperação, assim como oferecer cursos de qualificação para os médicos, a fim de melhor atender os atuais dependentes químicos e proporcionar plena recuperação. Além disso, o MEC, deverá promover palestras nas escolas, para toda a comunidade, ministrada por professores capacitados e psicólogos, com o intuito de auxiliar a família dos dependentes, assim como, prevenir o aumento de dependentes químicos educando os infantis, para que, futuramente, seja possível diminuir a verba direcionada para o tratamento dos usuários de drogas, pois conforme Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”.