Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 26/10/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Nesse trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, vê-se que determinado problema se configura como um obstáculo na vida de muitos brasileiros. Nesse contexto, atualmente a ausência de estruturas públicas especializadas e o preconceito de familiares são as maiores “pedras” no caminho para o tratamento de dependentes químicos no Brasil.

Segundo dados divulgados pelo site hojeemdia em parceria com o Sistema Único de Saúde(SUS), em 2017, foram realizadas 82.730 mil internações por uso de droga ilícitas. Com a ausência de estruturas públicas especializadas em reabilitar usuários químicos, após receberem liberação médica 90% dos internados retornam à rua para consumir novamente substâncias químicas. Desse modo, a ausência de tratamento acaba perpetuando o consumo de drogas ilícitas.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o preconceito sofrido por usuários advindo de seus familiares. De acordo com o poeta inglês William Shakespeare, o olhar de quem odeia é mais penetrante do que o de quem ama. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que com a violência e a exclusão geradas pela família, o dependente químico acaba intensificando o consumo de drogas, em virtude do ódio recebido por familiares.

Infere-se, portanto, que os problemas se mostram como uma grande pedra a ser removida do caminho para o desenvolvimento. Para que isso ocorra, é necessário uma parceria entre o Ministério da Saúde(MS) e comunidades terapêuticas, no qual por meio da redução de impostos, essas comunidades forneçam tratamento e suporte à dependentes químicos, objetivando à reabilitação desses usuários. Além disso, é necessário que essas comunidades, por intermédio de assistentes sociais e psicólogos, auxiliem na relação entre dependentes e familiares, buscando o bem-estar familiar.