Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 30/10/2018
Muito se discute acerca de como lidar com o uso de drogas no Brasil - sobretudo em relação ao tratamento de dependentes químicos. Atualmente, usuários de drogas ilícitas são tratados com repressão, enquanto sobra o descaso com os abusadores das lícitas. Diante disso, é cabível a discussão de novas formas para lidar com essa problemática, visto que o caso é de saúde pública e não passível de punição.
Embora seja uma tendência global - principalmente entre os países mais desenvolvidos - a flexibilização da política anti-drogas segue o caminho oposto no Brasil. Consequentemente, ocorre a marginalização do usuário perante a sociedade e ao Estado. Isso gera um enorme déficit na taxa de recuperação dessas pessoas, que, por sua vez, se sentem desconfortáveis em procurar ajuda.
Nesse contexto, mesmo os abusadores de drogas lícitas, como os alcoólicos, sofrem com essa marginalização, oriunda do descaso com que são tratados. Assim, a sociedade os julga sem levar em conta o contexto sócio-econômico no qual estão inseridos, ou até mesmo suas histórias de vida. Isso é preocupante, já que esses são fatores importantes para se compreender os motivos que levam as pessoas a se submeterem a tais abusos.
Doravante aos problemas apresentados, é preciso começar a tratar do dependente como um caso clínico, e não de polícia. Logo, o Poder Legislativo deve descriminalizar o uso, com o objetivo de evitar a marginalização dessas pessoas e possibilitar que se tratem com dignidade, afinal precisam de auxílio. Ademais, seria interessante que o Governo Federal, juntamente com a iniciativa privada, destinasse mais recursos ao tratamento dos usuários, investindo em clínicas de recuperação e, principalmente em comunidades terapêuticas, afim de buscar, além da melhora do quadro de saúde dos pacientes, um melhor entendimento de como a pessoa chega nesse estado. Assim, podendo fazer um trabalho de prevenção e recuperação mais eficaz.