Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 01/11/2018
Segundo a corrente filosófica positivista fundada por Aguste Comte, para solucionar um problema social é necessário entender suas causas e consequências. No cenário em que o Brasil está inserido, com grandes dificuldades em tratar os dependentes químicos, é possível fazer um paralelo muito forte com esse pensamento. Cerca de 28 milhões de brasileiros estão dependentes de alguma substância química. O curto prazo das internações e a falta de leitos, são os principais fatores que corroboram com a inércia da situação.
Atualmente, ocupando a nona posição na economia mundial, é racional acreditar que o Brasil ofereça tratamento de qualidade aos dependentes químicos. Porém, infelizmente, a realidade é que com os poucos recursos repassados ao SUS só é possível concluir 21 dias de internação, quando é necessário 9 meses no mínimo para o paciente se recuperar da dependência, segundo o portal de notícias G1.
Ademais, a falta de leitos de internação funciona como um impulsionador do problema. Lee Ann Kaskutas, uma cientista que dedicou décadas de estudo aos métodos dos Alcoólicos Anônimos, descobriu que era fundamental para o paciente conviver com outros na mesma situação, e ver de perto a recuperação dos mesmos. Isso lhes dava fé, crença na possibilidade superar a dependência. No entanto, sem os leitos de internação, essa experiência será negligenciada, dificultando a recuperação dos dependentes químicos.
Portanto, indubitavelmente medidas são necessárias para resolver esse problema. A União deve destinar uma porcentagem maior dos recursos para o Ministério da Saúde, com o objetivo de possibilitar o ampliamento dos períodos de internação pelo SUS, até o mínimo de 9 meses, e não 21 dias. Além disso, o governo Estadual em parceria com o Federal, deve construir mais leitos de internação dedicados a dependentes químicos, aumentado o número de vagas disponíveis para internação. Dessa forma, espera-se que o Brasil reduza o número de dependentes químicos.