Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 02/11/2018
No que se refere aos desafios para reabilitação de usuários de drogas no Brasil, é imprescindível ressaltar a precária atenção dada pelo governo as proporções deste problema. Em 2017, João Dória, atual prefeito da cidade de São Paulo, empenhou-se em promover a “recuperação” da Cracolândia, limpando calçadas e ruas, mas sobretudo internando a força os viciados que viviam no local. Sendo assim, a facilidade com que os dependentes têm acesso às drogas em consonância com a escassez de profissionais capacitados para lidar com um paciente nessas condições, agravam ainda mais essa questão.
Primeiramente, pode-se analisar a rápida dependência causada por drogas fortes, como, por exemplo, a cocaína. Levando em consideração o pensamento de Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é fruto das relações rápidas e sem vínculos fortes, que se caracterizam por ocorrer sempre no agora. Analogamente, os dependentes vivenciam isso de maneira extrema, porque buscam situações de risco para conseguir comprar o entorpecente, não pensando no amanhã. Dessa forma, os efeitos começam a prejudicar essa pessoa, que não percebe sua própria condição de viciado.
Como consequência disso, o estado de terror aumenta, fazendo com que haja inúmeras pessoas se drogando neste exato momento. Entretanto, o governo federal oferece um serviço público de tratamento precário e que não atende a demanda nacional. Segundo dados da Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP-, a mortalidade associada ao crack é de 30%, da qual metade das vítimas morre em confrontos violentos. Isso mostra a desumanidade instaurada em pleno século XXI, pois o indivíduo entra em um cenário de marginalidade, vindo do fato de que a droga é ilícita. Nessa continuidade, a falta de um atendimento adequado acaba não só com a vida de quem usa, mas de toda a sociedade.
A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de agentes como o Governo Federal. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve aumentar o número de clínicas de reabilitação de usuários de drogas, principalmente onde os casos são mais extremos, e com o auxílio de médicos e psicólogos que estas instituições por meio do diálogo possa leva-los a se tratar por livre arbítrio, assim, não poderemos cometer novamente os erros de Dória. Com o intuito, de diminuir a quantidade de viciados e assim consequentemente a grande criminalidade existente. Desse modo, os dependentes irão recobrar sua consciência do agora, buscando sair dessa situação e criar laços fortes em áreas benéficas da sociedade.