Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 15/12/2018

Historicamente, assiste-se ao ser humano abusando de substâncias químicas que causam alterações em sua percepção e pensamento. Todavia, embora comum, esse comportamento causa sérias complicações na vida dos indivíduos e tem reflexo na sociedade como um todo, tornando-se necessária intervenção de modo a solucionar ou ao menos amenizar esse problema tão crítico.

É relevante discutir, em primeiro lugar, os desdobramentos que o uso indiscriminado de drogas podem trazer ao homem. É pueril imaginar que tais substâncias causem danos exclusivamente aos seus usuários; embora esse seja um grave dilema, também causam conflitos familiares e aumento da violência e da criminalidade de maneira ampla. Outrossim, são gastos grandes montantes de recursos públicos com o tratamento de adictos, com o combate ao narcotráfico e com a manutenção da população carcerária - que em grande parte é formada por traficantes, usuários indevidamente acusados de tráfico e pessoas presas por pequenos furtos, que objetivavam custeamento do próprio vício.

Entretanto, vários obstáculos são encontrados ao tentar dar fim a esse impasse. Além da dificuldade de lidar com o crime organizado, que está bem fortalecido globalmente, deve-se compreender a complexidade do vício, que não atua apenas na esfera química, mas também na emocional e psicológica, o que torna o tratamento longo, multifacetado e oneroso. Sendo assim, se o tratamento não for abrangente e completo, contemplando todas os ângulos e aspectos da doença, ela voltará ainda mais forte e resistente.

Dessa forma, é urgente que o Ministério da Saúde invista em campanhas de conscientização, divulgadas por meio da mídia e também de escolas, visando prevenir o uso de drogas por crianças e adolescentes. Ademais, o mesmo ministério deve criar e manter programas de reabilitação completos  que contemplem não só a desintoxicação, mas que preparem o indivíduo emocionalmente para seu retorno à sociedade e também preparem suas famílias, já que são o seu suporte, garantindo a recuperação efetiva e evitando recaídas.