Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 25/01/2019

Na perspectiva de Rousseau, o contrato social deriva da colaboração de todos para sobrevivência mútua em sociedade. Destarte, os dependentes químicos constroem e são construídos pela maquina de engenharia social, não obstante, sob a luz da Constituição Federal, existe o direito a saúde pública e uma vida digna a todos os cidadãos brasileiros, todavia, esse grupo de consumidores de psicoativos, por vezes aderem a prática devido as mazelas sociais, e por conseguinte acabam segregados e privados de direitos básicos. Em virtude disso faz-se necessário construir meios para alteração desse quadro

Sendo assim, cabe compreender a atmosfera que cércea e fomenta o aumento dessas problemática, de acordo com pesquisa divulgada pelo jornal O Globo, o uso de drogas está diretamente relacionado com falta de estrutura familiar, desigualdade social ou desconhecimento a respeito do tema. Posto isso, infelizmente o que fomenta tal aspecto é a educação precária associada ao alto índice de desigualdade social, levando a combinação mortífera, posto que como constatou o psiquiatra Dr Valentim Gentil Filho, para alguns psicotrópicos, a primeira utilização já desencadeia o vicio. Assim uma simples e inocente curiosidade pode acarretar em prejuízos enormes, dificultando o tratamento para tais pacientes

Ademais, o estigma no imaginário social do regular consumidor de tais substancias, é criminalizada, há um antagonismo e falsa simetria do senso comum em relação a realidade, isto é dependente químico é associado ao criminoso, marginal, incompetente e outros desprestígios sociais, quando na realidade se trata de uma condição patológica que segundo a Organização Mundial de Saúde, é uma doença que necessita de tratamento. Nesse sentido, o caminho para o tratamento de tais patologias é obstaculizado pelo preconceito social

Tendo em vista os dados apresentados, torna-se imprescindível a adoção de medidas para reverter o quadro. Diante disso, cabe ao MEC em junção a ONGs, a criação de campanhas publicitarias, peças teatrais e cartilhas distribuídas em escolas e veiculadas a TV e internet que expliquem como funcionam as drogas, e o risco do seu primeiro uso, além de difundir o endereço de centros clínicos gratuitos para tratamentos dos afetados por tal patologia e sucumbindo com a ideia de culpabilização da vítima, alterando o imaginário social brasileiro. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde a criação de cursos técnicos na área da saúde para dependentes químicos que estejam limpos, para promover a sua inserção no mercado de trabalho e assegurar os seus direitos. por meio dessas os benefícios advindos do contrato social proposto por Rousseau podem ser acessados por mais uma parcela da população, além disso a Constituição pode ser respeitada