Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 06/02/2019

A toxicidade do status quo

No imaginário de grande parte da população brasileira, o relacionamento com as drogas pode-se dar em duas opções maniqueístas: Bom, em que traz paz, e a maligna, que desampara o usuário e o leva a cracolândia. Ao não confrontar essa dualidade ingênua, o status quo se mantém, dificultando que os usuários lidem com seus vícios.

“Eu bebo sim, eu to vivendo. Tem gente que não bebe e tá morrendo”; “Beber, cair e levantar”; É fato que o consumo de drogas lícitas é culturalmente normalizado, sendo até incentivado pelo mainstream, afirmando que é a porta para sexualidade, sociabilidade e felicidade. Consequentemente, é até esperado que essas substâncias sejam usadas para lidar com problemas sociais e emocionais, não relacionando esse mecanismo a uma relação tóxica de dependência.

A psique coletiva da ideia do vício é algo muito extrema, alusiva a drogas ilícitas pesadas, não ao que de fato é: A necessidade de um mecanismo de escape não saudável para lidar consigo mesmo. Portanto, muitos usuários têm dificuldades em reconhecer em si mesmo a dependência.

Para que a reabilitação química possa ter uma melhor taxa de sucesso no país, é importante elucidar a sociedade que a cultura incentiva um tóxico mecanismo emocional através das drogas, consequentemente ensinando melhores, através de cursos de inteligência emocional ensinados e distribuídos pelo CAPS.