Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 24/02/2019
Viciada pela droga “heroína”, Nick, personagem do icônico seriado “Orange is the New Black”, faz de tudo para alimentar seu vício enquanto cumpre sua pena na prisão de Litchfield. Saindo do universo das séries e adentrando no mundo real, a dependência química também é um problema. Da mesma maneira, no Brasil , o número de dependentes químicos é alarmante, e fatores como a passagem de drogas ilícitas pelas fronteiras juntamente com o preconceito e intolerância da população com os usuários, impedem que esse impasse seja solucionado.
Haja vista que, já exista clínicas especializadas na reabilitação de pacientes viciados em substâncias químicas e que o número de dependentes químicos ainda seja exorbitante, alcançando 53.530 internações no ano de 2015, segundo o Ministério da Saúde, a má veiculação e ausência de incentivo, dificulta o acesso dos dependentes às clínicas. Dito de outro modo, os usuários e suas respectivas famílias não tem ciência da ajuda fornecida pelo Estado, porque não há um investimento na divulgação.
Outrossim, na ótica do diplomata Nicolau Maquiável, “os preconceitos têm mais raízes do que os princípios”, e nessa perspectiva pode-se concluir que a intolerância e o preconceito são fatores que corroboram com a iniciativa de tratamento e na reintegração social dos indivíduos dependentes. Um exemplo disso é o ocorrido deste mês em um supermercado da rede Extra, onde um segurança matou um jovem que estava tendo um surto devido ao uso de drogas.
Indubitavelmente, o processo de tratamento das pessoas intoxicadas é dificultado pela veiculação e entrada de drogas ilícitas no território brasileiro. Em outras palavras, se houver a diminuição de entorpecentes circulando ou a extinção deles, não haverá muitos meio de comprá-los, o que melhorará não só a queda de usuários como também os tratamentos, visto que muitos pacientes sofrem recaídas e não conseguem conclui-los com êxito.
Urge, então, que medidas devem ser tomadas para resolver o problema. O Governo deve destinar mais verbas para a Polícia Federal, para que a mesma contrate mais agentes e aumente o número de operações ao combate às drogas que entram e circulam no país. Além disso, é de extrema significância que a família dê o apoio necessário aos usuários por meio do diálogo e da inserção do mesmo em clínicas de reabilitação. É importante também que o Ministério da Educação conscientize as crianças e jovens sobre a consequência do uso das drogas, por meio da implementação de palestras educativas na escola, pois segundo o pensamento de Immanuel Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Desse modo, será possível alcançar uma sociedade favorável a todos.