Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/04/2019

Efetivamente, o Brasil constitui um estado estado democrático que garante, segundo a Constituição, no Artigo 5°, a igualdade de todos perante a lei e o devido respeito à dignidade individual.Todavia, há uma discrepância entre o que consta  na Carta Magna e o que ocorre na realidade brasileira, partindo-se do panorama de desafios, provenientes do tratamento de dependentes químicos. Isso se deve, sobretudo, à negligência governamental - por meio da ausência na implementação de políticas públicas - e à desigualdade governamental enraizada no país, fruto da insuficiência do sistema de saúde. Logo, faz-se necessária uma atuação mais contundente do Governo Federal e do Ministério da Saúde, visando ao enfrentamento do problema.

A priori, é válido acentuar que a negligência governamental está entre as raízes da problemática. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada, de modo que, por meio dela, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Sob esse viés, o governo torna-se primordialmente responsável por garantir a efetivação de políticas públicas, tal como a inserção de comunidades terapêuticas, uma vez que a sua ineficácia afeta diretamente na qualidade de vida e na harmonização social dos indivíduos. Dessa forma, reduzir-se-iam o panorama de adversidades oriundas de tal problemática.

A posteriori, evidencia-se a leniência do sistema de saúde como propulsora do problema. Consoante, o antropólogo Darcy Ribeiro, “o Brasil, o último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante de desigualdade, de descaso.” Sob tal enfoque, faz-se mister salientar que a problemática tem caráter patológico social, visto que está ligada estruturalmente à má gestão dos recursos públicos e, consequentemente, à carência de infraestrutura hospitalar, o que acarreta o agravamento dessa anomia social. Sendo assim, investimentos atrelados ao Ministério da Saúde colaboraria na superação de tal desafio da contemporaneidade.

Constata-se, portanto, que ainda há infortúnios para garantir a concretização de políticas no que concerne à construção de um país melhor. Destarte, urge que o governo em parceria com ONGS, invista em infraestrutura, por meio da manutenção de clínicas de reabilitação, através do acompanhamento de psicólogos e psiquiátricas, com o escopo de resgatar esses usuários, e assim mitigar esse maléfico atrelamento. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde promover melhorias no sistema público de saúde, por intermédio de investimentos direcionados às unidades básicas, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de prevenção as substâncias químicas, pois só assim faz-se valer os descritos no Artigo 5° da Constituição.