Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 26/04/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, afirma em seu artigo 3°, que todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Todavia, o Brasil, signatário da ONU, está em desacordo com o direito delegado, uma vez que o uso de substâncias químicas ilícitas tem restringido a liberdade dos usuários por meio do vício. Nessa perspectiva, a ausência de uma estrutura eficaz de tratamento, juntamente com o déficit de reinserção na sociedade, impossibilita a recuperação e causa desequilíbrio social.

Em primeira análise, tendo em vista o efeito de dependência demasiada gerado pelo uso constante de drogas, é possível definir a complexidade exigida para o tratamento, haja vista a necessidade de auxílio específica para cada indivíduo. Entretanto, no contexto brasileiro, a carência de estruturação em unidades físicas, profissionais e políticas, no que tange à assistência ao usuário de drogas, faz com que não haja possibilidades práticas e acessíveis que estimulem a busca desse tratamento. Nesse contexto, Zygmunt Bauman definiu o conceito de “Instituição zumbi” no qual o Estado brasileiro se adequou, já que, apesar de existir e se manter, está ausente de atitudes que atenuem o impasse, agindo como “zumbi”.

Ademais, o imbróglio referente as drogas no meio social é ampliado para além dos malefícios à saúde física e psicológica, o que constitui divergências sociais geradoras de exclusão para os indivíduos que possuem histórico com essas substâncias químicas. Sob esse viés, o preconceito que dificulta a reinserção social impulsiona o vício, pois a falta de desenvolvimento profissional e pessoal gera vulnerabilidade e consequentemente retorno às drogas. Assim, Freud, o pai da psicanálise, afirmou que o indivíduo ao se enquadrar em um determinado grupo social, suprime suas peculiaridades e assume as características preponderantes no meio, evidenciando a necessidade de ressocialização em prol de um tratamento efetivo para o vício.

Urge, portanto, que o problema referente ao tratamento de dependentes químicos no Brasil seja atenuado. Para isso, o Ministério da Saúde deve desenvolver um local de atendimento, com profissionais específicos como psicólogos, psiquiatras, entre outros, disponíveis para atender e encaminhar usuários para um centro de reabilitação, de acordo com a sua necessidade, com o fito de tratar a dependência química e auxiliar os usuários. Outrossim, o Ministério da Saúde, juntamente com o da Educação, devem ofertar momentos de contato com a arte, cursos gratuitos e por fim encaminhar para ofertas de emprego, de modo que de acordo com Freud, o indivíduo, por meio do contato social, potencialize sua recuperação e abandone o uso de substâncias ilícitas.