Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 21/03/2019
Drogas são substâncias que alteram a sensação, o grau de consciência e o estado emocional do indivíduo. O consumo excessivo e/ou contínuo de substâncias psicoativas pode levar à dependência química, ou seja, um estado de uso compulsivo e incontrolável, caracterizando uma patologia que deve ser encarada como um problema de saúde pública. Assim, a marginalização da dependência química na sociedade brasileira expõe a falta de empatia da nação verde e amarela e, ainda, retrata a complexa reinserção social do usuário.
Embora a utilização de drogas seja uma escolha pessoal, de acordo com a consciência individual, consoante à corrente filosófica do Existencialismo, ao deparar-se com a dependência não se trata mais de uma questão de escolhas, mas de uma doença. Dessa forma, quando Fábio Assunção expôs publicamente que sofria com o abuso de entorpecentes, esperava-se compreensão e apoio, e não o lançamento de uma música com o nome do ator o associando à folia e à embriaguez. Nem mesmo a distribuição de máscaras com seu rosto com o mesmo propósito, como pôde ser observado no Carnaval 2019. Através dessas ações, constata-se um povo despreparado para lidar com tal temática, extremamente insensível e que banaliza o consumo de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.
Em consonância com a falta de empatia, tem-se também o julgamento e a retaliação dos viciados, o que torna a busca por ajuda um grande desafio, visto que o Relatório Mundial Sobre Drogas de 2018 informou que apenas uma, em cada seis pessoas que requerem tratamento, recebeu assistência. Consequentemente, observa-se uma barreira na reabilitação do dependente, que envolve desde a ausência instalações físicas onde o atendimento por profissionais qualificados possa ser feito, até o comprometimento do suporte familiar ou de grupos de apoio, uma vez que o vício, muitas vezes, quebra os vínculos de confiança.
Infere-se, pois, que o abuso de substâncias psicotrópicas afeta diversas esferas sociais. Desse modo, faz-se necessário que as Secretarias Municipais de Saúde, auxiliadas pelo Ministério da Saúde, implementem um afetivo programa de reabilitação nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) espalhadas pelo país, no qual os dependentes (e os potenciais dependentes) possam, juntos de seus familiares, receber apoio médico e psicológico para superar a dependência química e voltar ao convívio social e profissional.