Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 23/03/2019
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. As palavras de Albert Einsten, renomado físico do século XIX, nos permitem refletir, nos dias atuais, sobre os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Ainda que avanços tenha sido conquistados nesse processo, a ressocialização de dependentes químicos ainda é limitada no País. Isso se deve, sobretudo, à negligência governamental e a práticas culturais discriminatórias. Logo, medidas federais e sociais são necessárias com o fito de combater esse preocupante cenário.
Nessa conjuntura, o descaso governamental frente ao processo de tratamento de dependentes químicos representa uma barreira para o sucesso deste. Isso porque poucos recursos são disponibilizados pelo Governo à capacitação de profissionais especialistas em redução de danos, por exemplo. Segundo o portal G1, o Brasil é o país emergente que menos investe nessa área. Como resultado disso, os usuários de drogas são expostos a tratamentos aversivos e descontextualizados de suas realidades. Dessa forma, a negligência do Estado, ao investir minimamente no tratamento de dependentes químicos, contribui para a rejeição de muitos ao processo.
Ademais, práticas sociais discriminatórias agravam essa problemática, uma vez que boa parte da população atribui características incapacitantes aos dependentes químicos. Tal fato, aliado à tese do filósofo Francis Bancon, que afirma que o comportamento humano é contagioso, enraizado e frequente na medida em que se reproduz, explica a recusa de muitas empresas à contratação de ex-usuários. Como consequência disso, o índice de recaída aumenta, dado que uma quantidade relevante de dependentes finaliza o tratamento, mas continua em situação de discriminação sem perspectivas de mudança.
Logo, medidas federais e sociais são necessários. Cabe ao Poder Executivo criar programas de ressocialização, por meio de parcerias público-privadas, nos quais ex-usuários possam trabalhar em empresas em troca de investimentos fiscais, como a redução de impostos, por exemplo. Tal agente deve, ainda, investir em pesquisas de redução de danos, com o objetivo de proporcionar tratamentos mais adequados aos dependentes químicos. É essencial, também, que a população debata mais sobre esse assunto e cobre do Estado tais medidas. Espera-se, com isso, que usuários sejam reintegrados de maneira eficiente à sociedade, livres de preconceitos.