Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 23/03/2019

Com o intuito de compensar dispêndios nas relações comerciais com a China, Inglaterra e França exportaram ópio (droga anestésica) para o país no século XVIII, causando inúmeros problemas sociais advindos dos malefícios trazidos pela substância, a saber, dependência química e decadência física e moral. Atrelado à falta de orientação e às falhas dos projetos governamentais, o tratamento de dependentes químicos no Brasil é um desafio, cuja mitigação é urgente.

Cabe ressaltar, a principio, que a ausência de uma orientação adequada é um obstáculo. Nesse cenário, através da paráfrase ao médico e escritor brasileiro Dráuzio Varella, é possível compreender que o tratamento de um dependente químico passa por fases que, caso não compreendidas pelos familiares e pela sociedade em geral, podem comprometer todo o processo, tendo em vista que é comum o uso de diversos artifícios argumentativos pelo paciente, a fim de embasar o abandono do tratamento. Tal assertiva torna claro que a desinformação sobre o assunto dificulta melhorias, o que contribui para o agravamento da conjuntura.

Outrossim, a ineficácia de ações governamentais é um obstáculo para a resolução da questão. Dados do Ministério da Saúde revelam que o consumo de drogas aumenta no Brasil, resultando em um gasto proveniente de atendimentos avaliado em mais de nove bilhões , não obstante, o número de centros de atendimentos estagnou. Dessa forma, a não aplicação de capital suficiente para a construção de novas organizações representa uma divergência do Governo, que não cumpre com a sua função de garantir o bem estar social, descrita pelo contratualismo de Jean Jacques Rousseau, ao privar milhões de pessoas de um direito inalienável- o direito à vida.

A observação crítica dos fatos sociais, ressalta, por conseguinte, a necessidade de medidas que visem superar os desafios no tratamento de dependentes químicos no Brasil. O Poder Legislativo e o Poder Executivo deverão, respectivamente, solicitar a destinação de uma maior parte dos tributos arrecadados aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e ratificar tal solicitação, por meio da Lei Orçamentária Anual. A ação tem como principal intuito possibilitar a construção de mais unidades de tratamento, além de uma maior divulgação do assunto no meio publicitário, bem como programas de orientação aos familiares dos dependentes químicos em tratamento. Assim poder-se-á, aos poucos, construir um País desintoxicado, deixando os colapsos sociais provenientes do uso de drogas restritos à História e fazendo da preservação da vida um objetivo fundamental.