Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 23/03/2019
Assim como Michel Foucault descreve em sua obra “A história da loucura”, a partir do século XVII, pessoas consideradas divergentes da conduta social comum são reprimidas e isoladas. Desse modo, parcela significativa de brasileiros são consumidores de drogas lícitas e ilícitas, situação agravada pela estigmatização desse grupo e pelo falho sistema de saúde pública nacional. Logo, percebe-se um sério impasse para a consolidação de um eficiente tratamento para dependentes químicos no país.
Nesse contexto, a persistência de operações policiais, nas chamadas “cracolândias”, torna inviável a recuperação dos moradores adictos e da área afetada. Sob esse viés, para o antropólogo Gilberto Velho, a acusação moral e política, que se faz a usuários de narcóticos, torna-os estigmatizados em definitivo. Sendo assim, essa categoria é vista como nociva ao “status quo” e há o distanciamento da possibilidade de abordagens para seu ingresso em terapias especializadas.
Outrossim, o desaparelhamento do SUS comprova a baixa qualidade dos centros médicos oferecidos pelo Estado. Nesse sentido, além de, nos últimos dez anos, segundo o Conselho Nacional dos Municípios, o país ter perdido 41 mil leitos públicos hospitalares, o número total dessas peças está abaixo da média da OMS. Como resultado, o complexo governamental de saúde configura-se como ineficaz no acolhimento de cidadãos utentes de drogas.
Portanto, é mister que, para a amenização de tal problemática, o Governo do Brasil tome medidas apropriadas. Para isso, o Ministério da Saúde deve ser o protagonista em operações nas “cracolândias”, a fim de estabelecer campanhas dignas para o tratamento dos moradores dessa região, por meio da atuação prática de psiquiatras e assistentes sociais locais. Além disso, é necessária a ampliação do número das Comunidades Terapêuticas e dos Centros de Atenção Psicossocial, mediante o aumento de seus fundos financeiros. Só assim, será possível que o país se diferencie da realidade observada por Michel Foucault.