Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 24/03/2019

Na canção “Fábio Assunção”, da banda La Fúria, uma polêmica foi gerada sobre o ator ao mencioná-lo como sinônimo de embriaguez, uma vez que enfrentou problemas na sua vida pessoal devido à dependência de drogas. Nesse sentido, percebe-se que muitos consideraram a letra da música como uma simples “brincadeira” e como a dependência química vem sendo tratada de forma banal no Brasil. Desse modo, torna-se importante discutir as causas desse problema, bem como seus desdobramentos.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a princípio, os usuários de drogas buscam obter prazer e satisfação momentânea como forma de fugir da realidade e dos problemas que os cercam. Eventualmente, a maconha continua sendo a droga mais usada: 183 milhões de usuários. Ou seja, 3,8% da população adulta do globo. Os consumidores de cocaína chegam a 17 milhões. Dessa forma, o consumo de múltiplas drogas tem se tornado uma consequência grave, pois a variedade dificulta o tratamento e potencializa as suas consequências, por exemplo, a depressão, a fragilidade, entre outros. Então, nota-se que é fundamental a ajuda profissional e comunitária para reestruturar a vida daqueles que foi prejudicada pelo uso das drogas.

Por conseguinte, o indivíduo possui dificuldades em desenvolver atividades no trabalho e acabam perdendo seus empregos pelo baixo nível de lucidez apresentando nas atividades realizadas, no cotidiano. De acordo com o Relatório Mundial Sobre Drogas 2018, somente uma, em cada seis pessoas que requerem tratamento, recebe assistência – e a maioria nos países desenvolvidos. Além disso, a discriminação contra dependentes químicos acontece muitas vezes dentro dos próprios hospitais, locais que deveriam dar suporte, a exemplo, durante a triagem nos prontos-socorros dos hospitais, muitos profissionais agem com discriminação. Dessa forma, relegam a segundo plano os “drogados”, mesmo que tenham sintomas graves.

Fica claro, portanto, que é necessário investir em propostas para reinserção social e profissional de dependentes químicos. Cabe ao Ministério da Saúde com o Programa Nacional de Atenção Comunitária a Usuários de Álcool e Outras Drogas aumentar as clínicas de tratamento psiquiátrico, para assim, fornecer maior assistência para diversas esferas da sociedade. Apesar disso, o governo deve promover ações socioeducativas para os familiares, visto que entender e reconhecer a dependência química como um problema que exige tratamento ajudará não só na sua prevenção, mas também a evitar atitudes preconceituosas e desrespeitosas em relação a dependentes químicos. Logo, o número de indivíduos tratados evoluiria e o preconceito seria minimizado drasticamente.