Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 27/03/2019

Sob a perspectiva filosófica de Maquiavel, não há nada mais difícil do que tomar a frente na introdução de uma mudança. Tal teoria pode ser comprovada se observadas as dificuldades enfrentadas pela família, pelos agentes de saúde e pelo governo no tratamento de dependentes químicos, como o convencimento dos pacientes a passarem por tratamento, devido à resistência desses, e a realização da terapia corretamente, de forma que não os leve à desistência. Dessa forma, é preciso entender os principais obstáculos presentes no método de intervenção aos adictos químicos no Brasil.

Nessa conjuntura, é necessário destacar que a internação compulsória nem sempre é o caminho correto para o tratamento de dependentes químicos. Dessa forma, em alguns casos, o convencimento é o primeiro passo da terapia, devendo ser realizado com paciência, sem acusações ou julgamentos, como efetuado por voluntários da ‘‘Missão Belém’’, os quais iam às ruas persuadir usuários de drogas a aceitarem tratamento. Analogamente, os familiares dos adictos devem intervir, demonstrando apoio e buscando o convencimento desses, além de buscarem ajuda para eles próprios, considerando a dificuldade de lidar com viciados em drogas.

Além disso, outro desafio no tratamento de dependentes químicos é a inobservância estatal, uma vez que o governo nem sempre destina verbas suficientes para centros de reabilitação pelos quais é responsável. Por conseguinte, o número de pacientes e de centros são insuficientes. Outrossim, a intervenção nem sempre faz-se eficaz, levando em consideração a falta de recursos para melhorá-la. Uma das maneiras de aprimorar a terapia é a inclusão de tratamentos alternativos, como a ‘‘Arteterapia’’, a qual consiste em aliar atividades lúdicas às medicações e aos atendimentos psicológicos, trazendo distrações para os pacientes, o que, por sua vez, mantém o tratamento mais suportável para estes.

Portanto, faz-se necessária a reversão desse contexto. Para isso, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com a grande mídia, realize campanhas publicitárias na internet e na televisão que orientem familiares de dependentes químicos sobre como agir frente a essa realidade, orientando-os a buscarem ajuda e a tentarem persuadir o usuário a aceitar tratamento, visando a diminuição dos internamentos compulsórios. Somado a isso, o governo deve destinar mais verba às clínicas e aos centros de reabilitação de viciados, objetivando melhorar o acolhimento oferecido a esses, como a  partir da inclusão de terapias alternativas. Tais ações, a longo prazo, trarão significativos avanços no tratamento de dependentes químicos no País.