Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 25/03/2019
O filme “Trainspotting” retrata a vida de um usuário de heroína que aos poucos adere ao vício químico extremo, além de mostrar, também, como a ausência de medidas sociais facilita esse tipo de adicção. Hodiernamente, de maneira análoga, devido a uma política antidrogas baseada na violência e a inutilização do Sistema Educativo para a resolução dessa problemática, o Brasil enfrenta desafios no tratamento de dependentes químicos. Dessa maneira, faz-se necessário compreender melhor quanto às causa dessa conjuntura.
É importante citar, inicialmente, que a displicência governamental se destaque como um fator preponderante para a construção dessa situação indesejada. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a Política deve garantir a harmonia social por meio das leis e da justiça. Sob esse viés, é possível observar que o Estado não cumpre seu papel aristotélico, uma vez que direciona uma grande parte da verba disponível apenas para a guerra ao tráfico de drogas, ao invés de investir em políticas efetivas de tratamento para as pessoas adictas. Tal comportamento negligente acaba gerando mais violência, devido às ações contra o tráfico, e menos usuários tratados.
Outrossim, o desuso de medidas educativas para garantir a prevenção do uso de drogas, principalmente entre os jovens, contribui de forma significativa para essa mazela. Segundo o educado Paulo Freire, a educação muda as pessoas, e estas mudam o mundo. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que esse aspecto não é deveras adotado pelo Governo, que negligencia a utilização da educação para tal propósito. Tal postura converge para a desinformação dos jovens quanto ao uso de drogas, facilitando, assim, um acréscimo no número de futuros usuários.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que garantam um tratamento efetivo para os dependentes. Para isso, o Governo Federal deve consolidar o desenvolvimento de programas de tratamento eficientes no Sistema Único de Saúde, por meio do direcionamento correto da verba pública, evitando gastar demasiadamente com a ineficaz guerra ao tráfico, a fim de garantir um melhor acompanhamento clínico aos adictos e, portanto, uma redução no número de dependentes. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação promova palestras sobre os malefícios causados pelo uso de drogas, a fim de diminuir o número de futuros usuários. Dessa forma, diferentemente da sociedade retratada em “Trainspotting”, o Brasil pode caminhar para um desenvolvimento mais saudável.