Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 31/03/2019
Michel Laub, escritor e jornalista brasileiro, retrata em “O Diário da Queda” um de seus primeiros contatos e seu histórico com a bebida que se arrasta até os dias atuais, trazendo prejuízos para sua vida profissional e enquanto pai. Infelizmente, o caso retratado é bem recorrente na sociedade atual e agrega outras realidades sociais no mesmo barco da dependência, suscitando uma reflexão acerca das consequências para o indivíduo e a comunidade. Mediante esse contexto, torna-se fundamental remover os empecilhos que coíbam o tratamento de dependentes químicos no país, seja por seu prejuízo do dependente e sua família, seja por características de perenidade intrínsecas a seu uso.
Acerca do primeiro ponto, cabe salientar que a dependência química é fonte de sofrimentos tanto para o dependente quanto para os membros ao seu entorno. Para elucidar esse ponto, cabe trazer os dados do psicólogo Daniel Goleman que afirma que as maiores causas de morte de jovens entre quinze e vinte e quatro anos é o uso de substâncias psicotrópicas. A respeito disso, é gritante a relação entre o uso de substâncias químicas danosas e os impactos diretos para o meio social, criando um raio de alcance que transforma qualquer indivíduo próximo ao dependente químico uma possível vítima, incluindo a si mesmo. Posto isso, o combate da dependência é nada menos que um aporte à vida e remover os entraves para sua solução é demonstrar-se defensor dos direitos inerentes a cada humano.
Já em relação ao segundo ponto, é importante mencionar que o consumo de drogas consiste em um problema crônico e irremediável. Quanto a essa questão o médico psiquiatra Içami Tiba defende em “Juventude e Drogas” que “o viciado pode separar-se da droga, mas nunca do vício”. Assim, o primeiro contato com a droga é o fator fundamental para iniciar uma cascata de acontecimentos que retira do usuário a autonomia, a liberdade e a integridade. Isso é bem compreendido através do pensamento da neuroanatomista Suzana Herculano-Houzel, que aponta os mecanismos de base biopsicológicas no cérebro humano como responsáveis por deixar insaciado o desejo do uso da substância. Portanto, o consumo da droga expõe o usuário à vulnerabilidade e livra-o de capacidades de ascensão e futuro.
Defronte ao exposto, cabe finalizar refletindo em alternativas possíveis para viabilizar o enfrentamento à dependência química no Brasil. No tocante a isso, é dever das escolas, por realizarem um trabalho complementar ao da família, incentivar a conscientização e adotar programas basilares que afastem o jovem do contato com substâncias psicotrópicas. Esses programas podem utilizar-se das ferramentas comuns às escolas, como preparo social, integração relacional educação preventiva. Tudo com o objetivo de formar um jovem consciente e ativo que defenda os princípios harmônicos e éticos de uma convivência saudável em coletividade, livrando do mal da dependências as gerações vindouras.