Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 01/04/2019

Não restam dúvidas que a partir dos anos 1960, no Brasil, o consumo de substâncias químicas foi associado à liberdade. Nesse sentido, muitos jovens relacionavam o consumo de drogas às manifestações políticas pela democracia naquela época. Nesse contexto, exemplifica-se “a extraordinária irracionalidade das relações humanas”, proposta pela escritora britânica Virginia Woolf. Em consequência disso, ainda hoje, o país enfrenta sérios desafios, não só pela precariedade de políticas públicas direcionadas a dependentes químicos, como também pela dificuldade na reabilitação e reinserção dessas pessoas ao convívio social.

Em primeiro lugar, o tratamento de dependentes químicos, no Brasil, não é bem sistematizado devido à inoperância de políticas de saúde destinadas a esse público. Dessa forma, é inegável a necessidade de atividades de governo que atendam às peculiaridades de saúde dessas pessoas, uma vez que são indivíduos mais vulneráveis, não só socialmente, como também biologicamente. Por exemplo, o consumo prolongado dessas substâncias pode causar incapacidades cognitivas, depressão e problemas neurológicos.

Outro aspecto a ser abordado é o grande desafio em relação a reabilitação dessa parcela da sociedade. Isto é, o sistema de saúde brasileiro precisa oferecer um tratamento personalizado para cada dependente com a finalidade de sanar os problemas individuais de maneira eficaz. Além disso, a reinserção social é um sério problema a ser sanado. Todavia, existem, no Brasil, inúmeras pessoas vivendo na rua e, de acordo com o Centro de Referência Especializado Para a População em Situação de Rua (Centro POP), um dos motivos principais dessa situação é o uso abusivo de drogas e álcool (36,5% das justificativas, em 2017). Ademais, o Brasil oferece 0,34% dos leitos necessários à população de dependentes químicos, segundo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde.

Portanto, diante da precariedade do tratamento, somada à irracionalidade das relações humanas, é preciso transformar essa realidade. A princípio, é necessário que o Ministério da Saúde elabore uma política nacional de atenção aos dependentes químicos, incluindo princípios, como a humanização e escuta qualificada, e diretrizes, sendo a principal a que o SUS deve garantir o acesso dessas pessoas aos serviços de saúde nos três níveis de atenção, a fim de que esse grupo tenha um tratamento integral. Por fim, o Ministério do Desenvolvimento Social precisa garantir a reabilitação social dos usuários após o tratamento. Para isso, é importante realizar oficinas terapêuticas, nos centros de reabilitação, que incluam pinturas, artesanatos e danças, a fim de que sejam trabalhadas as capacidades física e cognitiva. Dessa forma, será possível vencer os desafios do tratamento.