Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 31/03/2019
Na canção “Fábio Assunção”, da banda La Fúria, uma polêmica foi gerada sobre o ator ao mencioná-lo como sinônimo de embriaguez, uma vez que enfrentou problemas na sua vida pessoal devido à dependência de drogas. Nesse sentido, percebe-se que muitos consideraram a letra da música como uma simples “brincadeira” e como a dependência química vem sendo tratada de forma banal no Brasil. Desse modo, evidencia-se os desafios para o tratamento de dependentes químicos, sendo eles: o preconceito e a falta de cooperação ao tratamento por parte da sociedade.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a princípio, os usuários de drogas buscam obter prazer e satisfação momentânea como forma de fugir da realidade e dos problemas que os cercam. De acordo fontes de pesquisas, a maconha continua sendo a droga mais usada: 183 milhões de usuários, ou seja, 3,8% da população adulta do globo. Os consumidores de cocaína chegam a 17 milhões. Dessa forma, o consumo de múltiplas drogas tem se tornado uma consequência grave, pois a variedade dificulta o tratamento e potencializa as suas consequências, por exemplo, a depressão, a fragilidade, entre outros. Então, nota-se que o combate ao consumo de drogas torna-se difícil devido a sua abundância.
Por conseguinte, a presença do baixo nível de lucidez dos usuários interfere nas relações com a sociedade promovendo-os a exclusão social. De acordo com o Relatório Mundial Sobre Drogas 2018, somente uma em cada seis pessoas que requerem tratamento, recebe assistência – e a maioria nos países desenvolvidos. Além disso, a discriminação contra dependentes químicos acontece muitas vezes dentro dos próprios hospitais, locais que deveriam dar suporte; a exemplo, durante a triagem nos prontos-socorros dos hospitais, muitos profissionais agem com discriminação. Dessa forma, a discriminação presente deve-se por relegá-los a segundo plano e por denominá-los: “drogados”.
Fica claro, portanto, que é necessário investir em propostas para reinserção social e profissional de dependentes químicos. Cabe ao Ministério da Saúde, com o Programa Nacional de Atenção Comunitária a Usuários de Álcool e Outras Drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), aumentar as clínicas de tratamento psiquiátrico para assim, fornecer maior assistência para diversas esferas da sociedade. Além disso, o governo deve promover ações socioeducativas para os familiares em parceria com a sociedade, visto que entender e reconhecer a dependência química como um problema que exige tratamento, ajudará não só na sua prevenção, mas também a evitar atitudes preconceituosas e desrespeitosas em relação a dependentes químicos. Logo, não haveria a existência de canções como as de “Fábio Assunção”.