Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 23/04/2019
Durante a década de 1920, vigorou nos Estados Unidos a Lei Seca, que proibia a produção e o comércio de bebidas alcoólicas e nesse contexto, emergiu o contrabando ilegal desses coquetéis, comandado, principalmente, pela máfia chefiada por “Al” Capone. Assim, como a máfia italiana nos EUA, no Brasil vigora o contrabando de narcóticos, comercializados por traficantes de drogas. Tanto as bebidas alcoólicas, contrabandeadas por Capone, quanto os narcóticos, traficados por brasileiros, causam problemas sociais e o principal deles é a dependência química. Em decorrência disso, o Brasil enfrenta muitos desafios para tratar seus dependentes químicos, desafios esses gerados pelo preconceito com o tratamento e pela falta de informação sobra a patologia que é o vício.
Em primeiro lugar, o tratamento de dependentes químicos enfrenta um grande preconceito, pois este não é sempre funcional, sendo que seus pacientes podem sofrer recaídas e também é um tratamento extenso, que pode durar a vida toda. Mas por outro lado, como demonstram pesquisas gerenciadas pelo psiquiatra Jorge Jaber, especialista no tratamento de dependentes, a taxa de sucesso em internações compulsivas, que são aquelas determinadas judicialmente, é de 66% dos casos com 18 meses de acompanhamento.
Em segundo lugar, a falta de informações sobre a patologia do vício pode atrapalhar o diagnóstico e gerar uma descriminação para com os viciados. Graças a isso, é muito comum que dependentes químicos não se reconheçam como viciados que precisam de tratamento, atrasando o diagnóstico. Em concordância com isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que pessoas que bebem semanalmente podem apresentar desvios para o alcoolismo.
Portanto, para que se atinja um tratamento mais efetivo de viciados em substâncias químicas, sem que estes enfrentem qualquer tipo de preconceito ou discriminação, é de substancial necessidade que o Ministério da Saúde, em conjunto com organizações midiáticas, promova uma extensa campanha de conscientização com propagandas televisivas, cartazes em postos de saúde e anunciação em carros de som, explicando os problemas decorrentes do vício e os possíveis benefícios de uma internação precoce. Além disso, investimentos em grupos de alto-ajuda, como os Alcoólicos Anônimos (AA) e os Narcóticos Anônimos (NA) contribuem para recuperação social dos indivíduos que se submetem ao tratamento. Somente assim, a dependência química será desmistificada e suas vítimas deixarão de sofrer preconceito.