Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 11/04/2019

O Ópio - substancia entorpecente extraída da papoula, que causa  vício - era transportado ilegalmente da Inglaterra para a China, na década de 1839, sendo precursor da Guerra do Ópio entre esses países. Na contemporaneidade, a dependência química ainda é um problema social vigente, mormente no Brasil, visto que há desafios para tratamento dos usuário. Dessa forma, é necessário avaliar as causas desse cenário, que prejudicam o sucesso das medidas terapêuticas, para, então, solucioná-las.

De início, cabe salientar a ineficiência do tratamento público e gratuito para os dependentes. Sabe-se

que dependência é uma doença que provoca alterações biológicas, psicológicas e sociais, ou seja o seu efeito é individual e diferente em cada usuário. Além disso, muitos desses indivíduos são de baixa renda e não possuem meios para pagar por uma boa reabilitação particular. Por conseguinte, recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS), cuja terapia segue uma metodologia coletiva - a qual não leva em conta a idade, o sexo, formação, bem como a realidade socioeconômica de cada pessoa - e em leitos de acolhimento nos hospitais ou nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Todavia, de acordo com a Revista Veja, há no total 1671 Caps no país, sendo 243 especializados em álcool e drogas. Logo, é evidente que as opções disponibilizadas pelo poder público são escassas para atender à demanda e que o tratamento é falho, uma vez que é coletivizado e não próprio para cada dependente.

É notório, ainda, que o impasse a respeito da legalização das drogas pode ser também relacionado ao ineficaz processo de reabilitação. Segundo a Revista Galileu, se a maconha fosse legalizada, o mercado de drogas movimentaria até 6 milhões de reais por ano. Assim, devido ao lucro obtido, seria possível maior arrecadação tributária pelo poder público, as quais seriam revertidas para custear mais opções de terapia os dependentes, sejam de drogas ou álcool, através de consultórios e centros de convivência populares. Todavia, essa não é a realidade brasileira, que tem as verbas para a saúde má administradas e direcionadas, inviabilizando o sucesso das medidas terapêuticas.

Fica claro, portanto, que os obstáculos para o tratamento de dependentes químicos requerem ações efetivas para serem combatidos. Nesse sentido, o Governo Federal deve promover projetos públicos de reabilitação, por meio do Poder Legislativo, com a promulgação de uma lei que libere, de forma controlada, a maconha. Além de assegurar que todo o lucro desse comércio seja destinado ao Ministério da Saúde, a fim de ampliar as Caps nas áreas mais necessitadas, implementar grupos de apoio, atividades esportivas e a contratação de multiprofissionais, como psicólogos e assistentes, para realizar um acompanhamento individual de casa paciente. Espera-se, com isso, facilitar a ressocialização e os cuidados médicos dos usuários.