Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 26/04/2019
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de indivíduos internados por uso de drogas ilícitas sofreu uma queda de cerca de 26% entre 2012 e 2016. Ao analisar a conjuntura social atual brasileira, evidencia-se que tal índice ratifica desafios para o tratamento de dependentes químicos no País. Nesse cenário, destacam-se, entre essas problemáticas, o preconceito populacional a esse grupo social e a política de repressão imposta pelo Estado aos mesmos indivíduos.
Em primeiro plano, cabe salientar que o preconceito sofrido por dependentes químicos configura-se como entrave para com o tratamento dessas pessoas. É inegável que esses grupo social é visto negativamente sob a ótica de parte da população. Nesse sentido, a descriminação contorna as relações entre esses segmentos sociais. Prova disso, é o apoio popular, embasado em preconceito, a intervenções armadas na Cracolândia. Assim, vê-se a coibição de políticas públicas que incentivem o tratamentos de dependentes químicos, já que a população não as apoia.
Em segundo plano, convém ressaltar que as políticas estatais de repressão aos dependentes químicos são fatores que tolhem o tratamento desses indivíduos. É indubitável que essas ações são consoantes ao cenário brasileiro vigente. Exemplo disso, são as supracitadas intervenções na Cracolândia, noticiadas recorrentemente por mídias sociais. Em virtude disso, muitos desses dependentes fomentam, em sua perspectiva, um olhar temeroso para com o Estado. Isso torna inexpressivas as buscas de tratamentos por esses indivíduos, pois muitos temem o despotismo estatal, em detrimento de seu teórico carácter auxiliador.
Portanto, é mister mudar o cenário atual. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar, por meio de verbas governamentais, propagandas publicitárias vinculadas à TV e internet que conscientizem a população da condição patológica de dependes químicos. Assim, será mitigada a descriminação popular a esse grupo social. Além disso, a sociedade civil deve se posicionar contra medidas violentas estatais realizadas a essas pessoas.