Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 04/05/2019

Desde o Período Colonial, os compostos viciantes tem constante presença na conjuntura social brasileira. Isso pode ser provado, por exemplo, na relevância que as “drogas do sertão” possuíam na economia nordestina, sendo estas um dos principais produtos. Contudo, com a dependência gerada pelas drogas, um grande desafio surgiu: o tratamento de dependes químicos, o qual é extremamente precário no país, mesmo que seja essencial. Isso se deve, sobretudo, à falta de humanização no processo e à insuficiência de investimentos estatais no setor. Logo, são urgentes ações mediadas pelos setores privados e governamentais para superação do cenário hodierno.

Nesse viés, é pertinente relacionar a precariedade do tratamento de dependentes químicos à deficiência humanitária do processo, ocasionando danos à recuperação. Em verdade, o sucesso da recuperação depende de fatores psíquicos,e, principalmente, sociais, o que inclui uma rede abordagem suave e ética, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entretanto, no Brasil, tornam-se cada vez mais frequentes as  agressivas internações compulsórias, tendo os índices ampliados até 132% em algumas cidades, como em Fortaleza, de acordo com o Hospital da Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSMM). Em consequência disso, o método acarreta em uma solução insuficiente que, após a liberação do indivíduo, leva à reincidência, dentre outros sintomas.

Outrossim, o escasso investimento governamental prejudica estruturalmente o tratamento, visto que a falta de recursos impede a a construção de clínicas adequadas. De fato, as verbas destinadas à questão são exíguas, fornecendo apenas 0,34% dos leitos necessários para a quantidade de indivíduos, consoante dados do Senado Federal. Ademais, também é presente o distanciamento de outros modelos de recuperação, como as comunidades terapêuticas independentes ou as congregações religiosas, as quais atuam sem supervisão estatal. Com isso, os recursos estatais tornam-se dispersos e reduzidos, suscitando a perpetuação dos vícios em componentes prejudiciais.

À luz dessas considerações, medidas que objetivem a superação dos empecilhos são necessárias. Para tanto, os Hospitais Psiquiátricos de iniciativa privada devem aprimorar sua atuação conforme cumprimento das normas estabelecidas pela OMS, por intermédio de parcerias com psicólogos especializados na área, a fim de assegurar o tratamento ético e humano dos dependentes. Além disso, o Ministério da Saúde, por meio da apresentação de um Projeto à Câmara dos Deputados, deve aumentar os investimentos voltados para a temática, bem como estender a fiscalização de recursos alternativos às práticas estatais, com o fito de facilitar a intervenção segura e a cura dos indivíduos afetados. Dessa forma, pode haver a formação de um país mais saudável e humano.