Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 11/05/2019

A utilização de psicotrópicos não é exclusiva das sociedades contemporâneas, há milênios eles são utilizados desde em ritos indígenas a festas romanas. No entanto, o uso descomedido dessas substâncias pode ocasionar a dependência química, estado compulsivo e incontrolável que configura-se em uma doença mortal, a qual exige tratamento. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, três milhões de pessoas morrem todos os anos pelas consequências do consumo excessivo de álcool. No Brasil, o abuso de drogas é um problema e a banalização da dependência bem como a política de combate a drogas repressiva e ultrapassada são desafios a serem superados para solucioná-lo.

Em primeiro plano, para o Existencialismo, nossa essência é construída pelas escolhas que fazemos, pois somos livres para tal, e toda tomada de decisão é de responsabilidade do próprio indivíduo. Nesse sentido, o vício muitas vezes não é visto como doença, mas como uma falha moral, falta de força de vontade. Assim, os dependentes químicos são muitas vezes hostilizados, tratados com dureza, como se seu estado disfuncional fosse meramente questão de escolha. Esse cenário de discriminação por parte de profissionais de saúde expõe uma falha na formação destes que precisa ser corrigida, de modo que, ao oferecer atendimento empático e livre de preconceitos,o paciente possa sentir-se acolhido e almeje sua recuperação.

Ademais a atual política brasileira de combate às drogas se mostra ineficiente e incompatível com o que tem surtido efeito em países desenvolvidos. Portugal foi um dos primeiros países a conceber a política de redução de danos, na qual se prioriza o trato ao usuário, partindo do princípio de que o consumo pode ocorrer com menos riscos para ele próprio e para a sociedade. Essa estratégia, junto à descriminalização do uso, porte e consumo de drogas mudou a realidade desse país. O combate é focado no tratamento e dissuasão, concluiu-se que manter equipes atuando nas ruas próximos aos usuário custa menos que manter um presidiário, além de se mais eficiente. Ao investir na “guerra às drogas”, o governo brasileiro atua de forma repressiva e deixa de investir mais em educação e saúde que, pilares fundamentais no enfrentamento do problema das drogas.

Urge, portanto, que o Executivo, por meio do Ministério da Saúde, disponha uma formação humanizada ao pessoal da rede de atendimento de saúde mental e a usuários de álcool e drogas, mediante cursos presenciais e virtuais, que os treine para atuar de maneira mais receptiva no cuidado de dependentes químicos. Cabe ao Legislativo, ainda, criar leis voltadas à redução de danos e tratar o tema como assunto de saúde pública e no intuito de investir em iniciativas de prevenção à entrada no mundo das drogas e ressocialização de usuários recorrendo à educação e profissionalização.