Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 15/05/2019
O filme “Paraísos Artificiais” retrata duas jovens em um cenário fortemente marcado pelo consumo de bebidas alcoólicas e variadas espécies de drogas. Nesse ínterim, é relevante ponderar que, na atual conjuntura brasileira, a situação do país se assemelha àquela retratada na obra ficcional e traz consigo sérias consequências, o que faz com que o tratamento de dependentes químicos seja um entrave. Desse modo, é imprescindível analisar como a desigualdade social aliada à ausência de efetivas ações governamentais corroboram o lamentável cenário no qual o Brasil está inserido, no que tange à proble-mática do uso excessivo de substâncias químicas.
Mormente, aponta-se a desigualdade social intrinsecamente ligada ao Brasil como fator crucial para a temática. Conforme defendeu T. Piketty, em sua obra “O Capital no Século XXI”, a ascensão do mode-lo capitalista foi responsável pela acentuação das estruturas econômicas sociais e por fazer com que a mobilidade de classes seja um impasse. Sob tal ótica, torna-se evidente que a hegemonia capitalista mundial se associa diretamente às condições de desigualdade social. De acordo com dados do site G1, o tráfico de drogas no Brasil está predominantemente ligado ao processo de favelização e segregação socioespacial. Dessa forma, é perceptível que a discrepância de classes gera efeitos negativos, nos quais se inclui a viabilização às drogas no que se refere à plena tentativa de sobrevivência, o que culmi-na na extrema dificuldade de solucionar os impasses relacionados ao uso de substâncias químicas.
Outrossim, tem-se a ineficácia das ações do Estado como agravante ao tema em debate. Embora a Constituição Federal de 1988 assegure a proteção e o bem-estar social para todos os cidadãos, essa pauta ocorre apenas na teoria e não desejavelmente na prática. Isso se dá, porque os órgãos governa-mentais e a sociedade, em linhas gerais, demonstram pré-julgamento no que diz respeito aos usuários de drogas e, consequentemente, isolam essa parcela social do âmbito coletivo. Assim, uma vez que não há o uso da consciência individual, e tampouco o incentivo comunitário, tem-se o desafio ao trata-mento de usuários no país, o que faz com que esses indivíduos sejam vítimas da violência urbana.
Urge, portanto, medidas capazes de facilitarem o tratamento de usuários de substâncias químicas no Brasil. Para tal, competem às prefeituras promoverem a desconstrução do histórico legado da desigual-dade social no país, por intermédio da oferta de maior número de empregos e oportunidades às parce-las sociais de baixa renda nos municípios, para que o país tenha chances de equiparar as condições de seus cidadãos. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde garantir, na prática, direitos assegurados teorica-mente, por meio da construção de novas clínicas de reabilitação e a destinação de verbas necessárias ao correto funcionamento dessas, a fim de que os usuários possam ser reinseridos à comunidade.