Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 27/05/2019

Questão de saúde

O consumo de drogas acompanha o ser humano desde a sua existência. Contudo, os processos denominados Revoluções industriais e a ascensão do capitalismo promoveram um ambiente que sobrecarrega o indivíduo e este recorre às “válvulas de escape” para se manter mentalmente são. Como resultado, parte da população torna-se dependente de substâncias químicas que prejudicam a si mesma e seus familiares.

Em primeiro lugar, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman caracterizou a hodiernidade como uma modernidade líquida, a qual as relações sociais, assim como os objetos, não são duráveis. Dessa forma, a sociedade se vê cercada por desilusões e as drogas tornam-se um escapismo por proporcionarem alteração na percepção da realidade, mascarando em um período de tempo o pessimismo daquela. Logo, o próprio meio o qual o indivíduo vive o prejudica no tratamento dos vícios.

Em segundo lugar, ao mesmo tempo que algumas substâncias são criminalizadas, outras são amplamente aceitas socialmente, apesar de poderem causar danos similares devido a dependência, como se observa no caso do álcool, consumido inclusive entre os jovens em larga escala. Entretanto, o Estado deve tratar o vício em componentes químicos majoritariamente como uma questão de saúde e não criminal, haja vista que a última não trata a causa, e sim a consequência.

É necessário, portanto, reforçar as políticas para o tratamento de usuários de substâncias lícitas e ilícitas. Assim, o Governo Federal deve ampliar as redes de tratamento do Sistema Único de Saúde (SUS) conhecidas como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Ademais, estas devem atender todas as regiões nacionais, o que não ocorre. Além disso, facilitar o acesso aos programas de desintoxicação e terapias com e sem medicação ampliaria os casos de recuperação. Outrossim, o aumento de propagandas informando sobre a existência dessas políticas motivaria a procura por estes serviços oferecidos.