Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 27/05/2019

Desde a década de 1970, quando drogas ilícitas passaram a ser consumidas não somente pelos famosos, como pelo cidadão médio brasileiro, somando-se a uma maior atuação das facções de narcotraficantes, a questão da dependência química vem se intensificando. Diante desse aspecto, convém avaliar os fatores que influenciam esse quadro.

Conforme informações presentes na Pesquisa Nacional de Saúde do escolar, no ano de 2015, realizada com aproximadamente 2,6 milhões de estudantes de treze a quinze anos, cerca de 55% deles já consumiram bebida alcoólica e 9% experimentaram drogas ilícitas. Esses dados demonstram a importância do investimento em uma educação de qualidade nas escolas em conjunto com a atuação da família, conscientizando os jovens dos perigos do contato precoce com o álcool e narcóticos, bem como informando-os que, ao consumirem drogas ilícitas, estarão contribuindo com a morte de milhares de outros jovens para o tráfico todos os dias.

É conveniente salientar que o tratamento de dependentes químicos no Brasil é dificultado pela situação dúbia que se manifesta na Lei de Drogas, a qual deveria diferenciar o usuário e o traficante com uma análise minuciosa de cada situação, mas não o faz. Somando-se essa à outra resolução, que aumenta o tempo de pena de 3 para 5 anos, há o crescimento da população carcerária do país e menores possibilidades de tratamentos adequados para a reabilitação dos usuários de narcóticos. Esses fatores acabam contribuindo, também, para o avanço da criminalidade, uma vez que os presidiários de penas leves entram em contato com chefes de facções criminosas nas prisões e, em busca de proteção, alinham-se a eles.

Infere-se, portanto, que providências são necessárias para mitigar os desafios de tratar um dependente químico no Brasil. Os poderes Legislativo e Executivo deverão propor mudanças para corrigir brechas, como as presentes na Lei de Drogas, com o propósito de coibir possíveis irregularidades na lei. Cabe, ainda, aos Congressistas exigirem políticas públicas do Governo que deem condições à família brasileira de educar dignamente seus jovens, como a terapia familiar e o combate às desigualdades sociais, pois o contato precoce com álcool e drogas é frequentemente reforçado por lares desestruturados. “Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades”, conforme Paulo Freire. Consoante ao educador, o Ministério da Educação, possui um papel fundamental para garantir o pensamento crítico aos alunos, e deve fornecer subsídios às instituições de ensino, para que os discentes possam enxergar os impactos do narcotráfico no país e, consequentemente, em suas vidas.