Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 26/05/2019

A socióloga Hannah Arendt, em sua obra  “Eichmann em Jerusalém”, desenvolve as “banalidades do mal”, mostra como os assuntos importantes são tratados de modo trivial e indiferente na sociedade. De maneira análoga, o aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas tem afetado o contexto de grande parte da população brasileira. Isso ocorre devido à falta de políticas públicas eficientes sobre a ingestão de substâncias químícas, atrelado ao reconhecimento do usuário de que se encontra dependente da droga, enquadram-se nesse conceito sociológico de Arendt, uma vez que se constituem como desafios para o tratamento de dependentes químicos.

No contexto relativo as drogas, pode-se citar que, nos anos 70, no Brasil, o cigarro se encontrava bastante difundido nas propagandas midiáticas da época. No entanto, com os avanços na medicina, o  Estado percebeu que o tabaco trazia inúmeros maléficios a saúde. Com isso, houve vários programas de educação voltados para a população, a fim de alertar sobre os reais riscos  de saúde que os indivíduos estavam propícios, e leis que restringiam o uso em locais fechados, essas medidas contribuiram para a diminuição de pessoas fumantes. Atualmente, é possível traçar um paralelo com essa realidade, já que milhares de brasileiros consomem bebidas alcoólicas e até mesmo drogas ilícitas sem saber realmente os efeitos graves a curto e  longo prazo . Isso é intensificado devido a carência de políticas públicas efetivas de educação voltada ao combate do consumo de drogas, como foi feito nos anos 70 com o cigarro, além de não existir em muitos municípios do país a divulgação de instituições psíquicas que ajudam no tratamento  dependentes químicos.

Ademais, é válido ressaltar que parte significativa da população viciada em alguma droga não admite que está doente, o que dificulta ainda mais a reabilitação. Isso acontece, visto que não há um debate amplo sobre os estágios da doença na sociedade, com o propósito da pessoa perceber se está completamente dependente da droga e procurar imediatamente amparo médico, pois fazendo analogia a física de Newton é impossível que um corpo saía de seu estado de repouso se não houver uma força necessária para tirá-lo da inércia.

Portanto, cabe aos Estados, por meio de leis e investimentos, com planejamento adequado, estabelecer políticas públicas efetivas com programas de psicoeducação sobre o consumo de substâncias químicas, mostrando os riscos e problemas que as drogas podem trazer ao indivíduo, com o intuito de diminuir, de maneira considerável, o número de pessoas dependentes. Além disso, é importante que a mídia junto ao governo divulguem por intermédio de propagandas centros que acolhem e tratam os usuários, a fim de iniciar uma mudança em relação ao uso de drogas.