Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 24/05/2019
Em Odisseia, o poeta Homero faz alusão a utilização do ópio da papoula como forma de “esquecer o sofrimento”. Desde então, a utilização de substâncias químicas ultrapassou o contexto medicinal e prazeroso da antiguidade, tornando-se um grave problema de saúde e social, em virtude da dependência química e eventual segregação social gerada. Sem dúvidas, os dependentes químicos enfrentam desafios no cenário terapêutico, seja pelo fragilizado sistema de saúde, seja pela dificuldade de reintegração a sociedade.
A priori, é preciso apontar que existe uma negligência governamental em promover um tratamento e acompanhamento adequado no contexto de saúde mental. Isso pode ser visto pela suspensão de aproximadamente 78 milhões de reais para atendimento nas redes de centro de atenção psicossocial (CAPs) segundo o diário oficial da União em 2018. Assim, fica evidente o pouco investimento fornecido pelo estado, por consequência, os usuários químicos são afetados e seu tratamento interrompido ou postergado. Aliado a isso, o número de profissionais capacitados em atender essa população é pequeno, marginalizando ainda mais esses indivíduos e precarizando sua terapêutica.
Outrossim, a dificuldade de reinserção à sociedade figura como entrave para continuidade do tratamento e humanização aos dependentes químicos. Consoante ao filósofo Aristóteles, o homem é um animal social. Desse modo, a socialização ou ressocialização é fundamental no contexto de intervenção. Todavia, o preconceito enraizado da população impede esse retorno ao convício em sociedade, como também inferioriza sua condição e sua dignidade. Eventualmente, incapazes de retornar ao seio familiar, social e trabalhista, a recorrência as drogas é precoce. Sendo assim, o pensamento de Albert Einstein onde é mais fácil desintegrar um átomo que o preconceito, é uma grande verdade.
Portanto, são necessárias ações a fim de garantir um tratamento adequado aos usuários químicos. Compete ao Ministério da Saúde, realizar investimentos massivos em centros de saúde mental e profissionalização, a fim de maximizar o atendimento adequado e humanizado. Igualmente, cabe ao governo em suas três esferas promover políticas e planos de reintegração social, garantindo retorno aos cenários familiares, comunitários e trabalhistas. Finalmente, é dever do governo massificar campanhas de combate ao preconceito contra dependentes químicos e mostrar sua luta pelo retorno a sociedade. Assim, talvez alcançaremos a máxima de interação social de Aristóteles e desintegrar o preconceito dito por Einstein.