Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 26/05/2019

Segundo matéria do site “Hoje em dia”, o número de internações por uso de drogas ilícitas aumentou extraordinariamente de 19.920, em 2008, para 72.369, em 2012, no território nacional. Dessa forma, o tratamento de dependentes químicos demonstra-se tema necessário de discussão. Conforme o Instituto Nacional de Abuso de Drogas, órgão americano de pesquisas sobre tratamento de dependentes, negligência na forma de tratamento e no atendimento ao paciente são causas para que esse número aumente.

Em primeiro lugar, a opressão simbólica da qual trata o sociólogo Pierre Bordieu: a violência aos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de preceitos que atendam contra a dignidade da pessoa humana. Por conseguinte, os dependentes químicos são mal vistos pela sociedade e estereotipados como usuários incuráveis, logo, isso corrobora para que eles sejam colocados em um único “pacote”, tendo o mesmo tipo de tratamento médico/ terapêutico e, com forme isso, contribuindo para sua reincidência nos Centros e Unidades de acolhimento, no entanto, cada um desses adictos é diferente entre si e precisam de tratamento adequado e específico para o seu grau de dependência, pois alguns precisam de acolhimento familiar, outros de internação obrigatória e/ou atendimento psicológico.

Em segundo lugar, no século XVI, houve um redimensionamento da visão com relação aos problemas de saúde, que deixou de ser tratada como uma questão moral para ser compreendida por uma abordagem médica. Desse modo, o uso de substâncias ilícitas promove, ao longo prazo, para o surgimento de inúmeros efeitos colaterais: incapacidade e diminuição da função cognitiva, pertubações do sono, ansiedade, entre outros; a negligência no atendimento médico que cuide desses efeitos só contribui para que o paciente tenha uma experiência ruim no tratamento, assim, faz necessário um atendimento médico que diminua esses efeitos sobre o dependente.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. O Poder Executivo do Brasil deve criar um órgão que fiscalize todas as Unidades e Centros de acolhimento a respeito das formas de tratamento e atendimento médico. Outrossim, as escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestrantes, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca das formas de tratamento de dependentes químicos e do atendimento médico, com o objetivo de desenvolver jovens conscientes. Feito isso, estaremos desenvolvendo uma sociedade que não estereotipa os dependentes químicos em um único “pacote”.