Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 27/05/2019
A pintura O Grito, do expressionista Edvard Munch, personifica a angústia e o desespero do ser humano. Esse sentimento é percebido na vida dos dependentes químicos que não tem o tratamento adequado. Por isso, é indispensável discutir os obstáculos para o tratamento efetivo dessas pessoas relacionados ao Estado e ao método normalmente usado para tratá-las no Brasil.
Percebe-se, de início, que a falta de políticas públicas efetivas para o tratamento dos dependentes químicos no Brasil é um impasse para resolução do problema. Isso é facilmente notado na ênfase dada pelo Estado a questões relacionadas a penalização dos usuários e traficantes de drogas em detrimento ao assunto da saúde pública acerca do tema. Esse fato é visto na Lei de Drogas de 2006, que negligência o conceito do que é usuário e do que é traficante de drogas, que deixa margem para prisões desnecessárias. Isso porque há um preconceito com esses indivíduos que deseja separá-los do meio social. Por isso, segundo a ONU, apenas 2 em cada 8 dependentes químicos tem o tratamento adequado no mundo.
Nota-se, ainda, que a forma de tratamento dado aos dependentes químicos é, muitas vezes, errado. Isso ocorre porque o problema não é visto como uma doença crônica, que necessita de um cuidado contínuo durante toda a vida do indivíduo. Além disso, o tratamento é reduzido à privação do consumo e não abrange outras questões relacionadas à saúde mental, física e emocional da pessoa. Prova disso é o crescente aumento de usuários de crack que chega a 370 mil nas capitais, de acordo com um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde.
Mostra-se, portanto, a lacuna existente no tratamento dos adictos de drogas no Brasil. Por isso, faz-se preciso que haja mudança de pensamento social em relação à causa tratada e que o governo atue em prol da saúde dos dependentes químicos. Isso se dará por meio campanhas com pequenas cenas que tratem da gravidade da dependência química e da necessidade de ajuda que eles têm, feitas pelo Ministério da Saúde na mídia em horários comercias. É importante, também, que os governos estaduais e o federal invistam nas unidades de tratamento a esses indivíduos para que haja resultado efeito e aumentem o número de unidades com esse foco, a fim de que as pessoas não passem mais por momentos angustiantes e desesperantes como o retratado pela pintura.