Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 28/05/2019

A política Nacional sobre Drogas, aprovada em 2005, tem como objetivos promover e garantir prevenção e tratamento à população brasileira. Nesse sentido, essa iniciativa constituiu um avanço significativo no tocante à questão da dependência química no Brasil. Contudo,dados alarmantes reascenderam no cenário hodierno, em face de fatores culturais e estruturais. De fato, os esforços para superar esse desafio não foram suficientes, demandando novas ousadias.

Em primeiro lugar, essa realidade recai sob as lacunas do serviço público. Segundo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), são necessários 950 mil leitos para atender o mínimo de dependentes químicos no Brasil. No entanto, conforme dados do Senado, o país oferece apenas 0,34% dos recursos que seriam necessários para tratamento desses indivíduos. Diante disso, parte da sociedade tende a buscar auxílio em clínicas particulares e, ao se depararem com o alto custo do tratamento, desistem de buscar assistência. Dessa maneira, sem o devido acesso aos auxílios físico e psicológico, torna-se inviável desconstruir essa condição.

Ademais, a criação de esteriótipos configura outro atenuante.Isso pode ser percebido no carnaval de 2019, quando máscaras com o rosto do ator Fábio Assunção foram comercializadas nos blocos de rua, de modo a associar sua imagem a episódios de loucura e embriaguez. Esse cenário de hostilização se tornou comum na sociedade tupiniquim, gerando um sentimento de invisibilidade e falta de empatia em relação a parcela da população que padece mediante os efeitos das drogas. Dessa maneira,a falta de conhecimento sobre o assunto talvez se apresente como um dos fatores que explica tal ausência de sensibilidade em relação a essa condição.

Infere-se, portanto, que o Brasil ainda enfrenta desafios no combate à dependência química. Para reverter essa conjuntura, é necessário,em primeiro lugar,que o Estado subsidie os centros de apoio (Unidade Básica de Saúde, ambulatórios e Centros de Atenção Psicossocial).Além disso,é salutar investir em propostas para reinserção social e profissional de dependentes químicos, bem como promover ações socioeducativas para diversas esferas da sociedade.É fundamental ainda, a participação da família como núcleo de apoio em todas as fases. Assim, entender e reconhecer a dependência química como um problema social ajudará não só na sua prevenção, mas também a evitar atitudes preconceituosas e desrespeitosas.