Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 09/06/2019
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a busca de tratamentos para os dependentes químicos, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, de modo que essa problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela dificuldade de tratamento, seja pela marginalização dos dependentes perante a sociedade. Desse modo, com o escapo de atenuar tais infortúnios, medidas institucionais são fulcrais.
É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação indiligente estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, ainda que o direito à saúde e à programas de abstinência química seja um dever do governo, conforme encontra-se respaldado na Carta Magna de 1988, essa garantia ainda se encontra inalcançada, haja visto que, de acordo com o portal do G1, o índice de dependentes químicos crescem exponencialmente no Brasil, em especial, nas áreas periféricas do país. Assim, os órgãos de saúde devem intervir no enfrentamento a esse viés.
Outrossim, destaca-se a exclusão pela sociedade dos usuários vítimas dessa patologia como impulsionador dessa mazela social. De acordo com o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o poder da opinião social influência fortemente na postura do indivíduo dentro da sociedade, levando, em muitos casos, a essas pessoas buscarem alternativas de fuga da realidade do cotidiano pelo uso de algum tipo de droga, inviabilizando a sua busca pela abstinência. Por conseguinte, faz-se necessário buscar ferramentas para a minimizar essa problemática vigente. É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem o tratamento de submissos químicos.
Destarte, o Ministério da saúde deve elaborar programas de restabelecimento de vítimas do uso de drogas, por intermédio da criação de centros de saúde especializados para o tratamento específico de cada caso com o apoio de profissionais da saúde, com o fito de ajudar a libertação da parcela da sociedade passiva a esse contexto. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve promover discussões escolares nas aulas de Sociologia, por meio de debates entre a turma acerca do tema, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.