Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 28/08/2019
Segundo o filósofo e estudioso Foucalt, alguns assuntos sofrem restrições e esse é o caso do tratamento, no Brasil, de dependentes químicos. Sem uma determinação legal de quem deve lidar com o assunto, a família brasileira e o Estado tendem ficarem inertes. Assim, o tratamento desses cidadãos se torna uma problemática e, dessa forma, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.
Em uma primeira análise, a persistência do dilema no Brasil é intrinsecamente fomentado pela omissão familiar. Seja por vergonha ou fatores afins, muitas famílias tendem a se distanciarem dos familiares dependentes nesses momentos tão delicados, o que cria um efeito em cascata, levando-os a distanciarem-se da busca por um possível tratamento também, segundo a revista exame. Dessa maneira, muitos acabam a morar nas ruas, sem se dar conta de que precisam de ajuda e sem recebê-la. Assim, fica claro que a família tem um papel primordial nesse cenário. Nessa perspectiva, de acordo com o importante educador Paulo: “Se a educação, por um lado, não muda o mundo, por outro, sua ausência torna inviável qualquer mudança” - a educação é indispensável para que mudança sejam efetivadas.
Ademais, em um segundo plano, a falta de atitude do Governo é um mecanismo intenso desse impasse. Com seus olhos voltados para o combate de ideologias, como a mídia constantemente noticia, Jair Bolsonaro - atual presidente do país - tem feito diversas declarações polêmicas e demonstrado sua ausência com as questões sociais. Em uma delas, como noticiou o G1, Bolsonaro declarou que “prefere um filho morto em acidente a um gay”, o que respalda a situação. Desse modo, muitos participantes dos grupos minoritários, assim como os próprios dependentes químicos, acabam abandonados à própria sorte, o que resulta em diversas mazelas sociais, tais quais o aumento da criminalidade e o consequente crescimento da despesa em segurança pública. Assim, a imprescindibilidade de superação desse panorama configura-se como importante desafio político da pós-modernidade.
Portanto, Estado e família omissos são importantes vetores da problemática. Destarte, é imperativo que as prefeituras - em parceria com o Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos - promovam campanhas de conscientização familiar, por meio de palestras com psicólogos nas escolas, a fim de inteirar as famílias sobre o quão importante é o apoio aos dependentes. Ademais, é dever das prefeituras também, junto ao governo federal, criar locais de acolhimento aos dependentes nos Centros de Assistência Social (CRAS), objetivando a ressocialização, por meio da garantia de tratamento médico e psicológico. Logo, será possível contrariar o que foi dito por Foucalt e atenuar esse dilema.