Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/10/2019

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante tratamento para os dependentes químicos. No entanto, tal prerrogativa não tem e reverberado com ênfase na prática. Isso se evidencia não só na falta de investimento em políticas públicas voltadas aos usuários de drogas lícitas ou ilícitas, como também, o preconceito da sociedade com tais pessoas.

Em primeira instância, é importante ressaltar a negligência do setor público em combater esse crescimento exacerbado no abuso de drogas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 28 milhões de indivíduos têm algum parente dependente químico. Nesse viés, percebe-se o alto número de famílias que enfrentam esse grande empecilho na vida social, financeira, psíquica e física. Por outro lado, nota a ineficácia nas aplicações das verbas públicas para facilitar o acesso aos tratamentos, consultas, remédios e acompanhamento terapêutico. Logo, o número de consumidores de substâncias entorpecentes só aumenta.

Ademais, convém relacionar ainda o preconceito e os diversos apelidos pejorativos que os adictos enfrentam. Segundo Eli Pariser, o ser humano tem dificuldades de lidar com o diferente, pois é doutrinado a viver em sua bolha. Tendo em vista que essas atitudes individualistas e repulsivas colaboram para o uso de drogas, sendo essa muitas vezes o refúgio das pessoas que vivenciaram tais discriminações. Sendo assim, é necessário atuar a empatia e o respeito no tecido social, para que as divergências sejam entendidas e respeitadas.

Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas com a finalidade de garantir tratamentos de qualidade e fácil acesso para os dependentes, além de dirimir as rejeições sociais. Cabe ao Estado investir em políticas públicas voltadas à saúde dos viciados, e destinar mais verbas para a construção e manutenção de centros de tratamento em todos os polos regionais. Além do mais, o setor educacional deve incluir disciplinas na grade curricular que ressalta a importância do respeito às diferenças e o pensamento altruísta, ajudando as pessoas a saírem de um estado maléfico, como as drogas. Assim, haverá o cumprimento da Constituição e em consonância as pessoas respeitarão as divergências, contribuindo para a redução do número de usuários.