Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 08/09/2019
Consoante o sociólogo alemão Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é uma condição social onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. Conquanto, o livro demonstra que um dos indícios de anomia é quando uma sociedade passa a excluir um grupo por temer sua periculosidade. Nesse sentido, a política de drogas e dependentes químicos no Brasil, necessita de um solução de viés não excludente, afim de resolver esse inercial estado anárquico.
A educação é o fator principal do desenvolvimento de um país. Hodiernamente, o Brasil, ao ocupar posição de destaque na economia mundial, traz consigo lacunas no ensino público eficiente. Contudo, essa realidade é refletida na falta de oportunidades e direcionamento de jovens e adultos carentes. De acordo com o artigo publicado na revista Arte Médica Ampliada, a educação serve como principal medida profilática anti-drogas que objetiva a criança a tornar-se um adulto livre, responsável, com iniciativa, que respeite a si, aos outros e à natureza, tendo como finalidade, a não auto-mutilação. Diante do exposto, nota-se que a política anti-drogas, previamente, deve ter a inclusão dentro da sala de aula, como foco.
Faz se mister, ainda, a violência e a punição carcerária anti-drogas no país como fator agravante.Sujeitos invisibilizados, tomados por resquícios de injustiça e inseridos no mercado informal de trabalho, ficam em um ciclo punitivo pelo Estado que em outrora não supriu lacunas sociais. De acordo com o livro “Habitus” de Bordeau Os indivíduos são produtos da sociedade em espaços sociais distintos, em tese, formados pelas desigualdades.
Portanto, é evidente que ainda há entraves para solucionar o tratamento para dependentes químicos no Brasil. O estado deve investir em formações continuadas que incentivem os professores a abordarem o tema na sala de aula, com debates, afim de gerar relatórios sobre a convivência com as drogas e depoimentos anônimos dos alunos sobre o tema. Estes, devem ser enviados às secretarias publicas para gerar um material educativo personalizado para cada escola objetivando a inclusão.