Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 03/09/2019

O sociólogo Émile Durckheim, em um de seus conceitos, afirma que a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos componentes devem viver em harmonia para que seja possível conquistar o bem-estar geral. Contudo, na contemporaneidade, observa-se que o grande número de usuários de drogas sem o adequado tratamento no Brasil, se torna um desafio para efetivação do pressuposto. Isso se deve, principalmente, pela insuficiência de ações públicas e, ainda, a postura negligente da sociedade.

Nesse sentido, é elementar que se leve em consideração que, de acordo com o pensamento filosófico de São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática de direito todos possuem o mesmo grau de importância. No entanto, o Estado diverge de tal perspectiva, pela escassez de instituições para assistência de dependentes químicos e, principalmente, pela insuficiência de verbas destinadas à contratação de profissionais qualificados para atenderem as necessidades desses indivíduos. Dessa maneira, não é de espantar que, conforme preconizado pelo DATASUS- departamento responsável por disseminar informações sobre a saúde- apenas 0,34% dos leitos necessários para o tratamento dessas pessoas são disponibilizados. Diante disso, é fato que o apoio e a cura de usuários de drogas não é prioridade dos governantes.

Outrossim, deve-se considerar a falta de empatia como outro fator preponderante para dificuldade na efetivação do tratamento de dependentes de drogas. Conforme preconizado pelo escritor português José Saramago, a insensibilidade pelo outro eleva os níveis de exclusão. Nesse contexto, o que predomina na sociedade é o preconceito com os usuários, na medida em que, é preferível isolá-los do que os incentivar a procurar ajuda. Dessa maneira, a população admite uma posição passiva diante da ausência de políticas públicas aos viciados, o que faz com que não exista incentivo coletivo para que haja a procura de tratamento, agravando, assim, o problema no país.

Tendo em vista os argumentos supracitados, observa-se a necessidade de medidas que mitiguem os desafios do tratamento de dependentes químicos no Brasil. Portanto, o Governo deve, por meio de programas assistenciais, destinar mais verbas para a área de saúde dos viciados, afim de que haja a construção e manutenção de centros de tratamentos em todos os polos regionais do país. Por último, é preciso que instituições sociais, como ONGs- por intermédio de propagandas televisivas- conscientizem a população acerca da importância de incentivar os dependentes químicos a procurarem tratamento, para que, desse modo, tais pessoas possam ser reinseridas na sociedade.