Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 08/10/2019
O movimento “Contracultura”, vigente nos Estados Unidos da década de 1960, foi um importante precursor do consumo de drogas no país, de modo que desencadeou, também, as preocupações acerca de seu combate. Não obstante, o Brasil hodierno apresenta alarmantes números de dependentes químicos. Esses, aliados à uma má gestão de prevenção ao uso de narcóticos, pressupõem medidas de tratamentos ainda ineficientes, aliadas à negligência governamental e à marginalização dos enfermos em questão.
Em primeiro plano, há de se analisar a falibilidade estatal na luta contra as medidas terapêuticas de combate à dependência narcótica. Isso porque, as políticas de atenuação, ligadas ao setor de saúde e segurança pública, acabam por trivializar a parcela associada ao consumo de drogas, e, com isso, repassam um menor apoio financeiro para o tratamento de dependentes químicos. Nesse sentido, a ótica de Zygmunt Bauman, a respeito das “Instituições Zumbis”, podem estar associadas aos sistemas públicos ligados à problemática, visto que tais instituições perderam sua função, mas conservam sua forma infraestrutural. Dessa forma, não é complexo determinar a permanência do potencial patogênico no avanço exponencial do consumo de narcóticos, tendo em vista sua lenta política de erradicação.
De outra parte, é indubitável observar a segregação social dos dependentes químicos brasileiros. Isso porque a condição desses indivíduos é posta à margem de sua comunidade, diante do ideal estético e comportamental imposto por essa. Dessa maneira, o fato social estudado por Émile Durkheim é reverberado por meio da doença associada ao vício, já que, ela é vista, em muitos casos, como condição voluntária, e inviabiliza, assim, a adaptação do ser em função do meio. Com isso, o portador do vício torna-se desmotivado pelo seu isolamento e acaba por potencializar os patógenos responsáveis pelo consumo compulsório, dificultando, assim, sua total erradicação.
É, portanto, necessário promover a luta contra a dependência química no Brasil. Para tanto, cabe ao PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) associado ao BNDES, mitigar medidas de combates eficazes ao vício em drogas, por meio de elaboração de pesquisas, internação a longo prazo e estruturação de mais centros de reabilitação em todo o território nacional, a fim de atender um maior número de pessoas e viabilizar tais tratamentos. Ademais, é papel da mídia corroborar a disseminação da ressocialização dos enfermos por meio de inclusão de séries e filmes que demonstrem a reinserção desses em sua comunidade, de modo que, influencie o comportamento comunitário da sociedade. Dessa maneira, o movimento Contracultura poderá ter como principal legado o ideal pacifista, distante de mazelas pandêmicas.