Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 16/09/2019

A Revolta da Vacina, foi um movimento organizado pela população contra a campanha autoritária de saneamento básico, realizada na cidade do Rio de Janeiro. Diante dessa perspectiva, o histórico brasileiro evidencia que as medidas repressivas não são a solução para o tratamento de dependentes, já que, o problema é um reflexo do cenário desafiador da desigualdade social no Brasil.

Em primeira análise, é válido ressaltar a ineficácia da política antidrogas no país. Nesse sentido, o filósofo Michel Foucault defendia que as instituições que deveriam assistir a população - como as clínicas de desintoxicação -, acabam por se tornar espaços de opressão, que visam exercer poder e punir. Desse modo, o modelo de combate as drogas no Brasil mostra-se ineficiente e intolerante. Visto que, a questão não é vista como um problema de saúde pública e a internação compulsória é um método que visa controlar e ‘‘civilizar’’ os dependentes químicos, mas não reabilitá-los e defendê-los.

Somado a isso, é possível estabelecer uma relação entre a exclusão social, o estigma e o uso de drogas. Nesse contexto, o sociólogo Émile Durkheim expõe a teoria da consciência coletiva, na qual, a sociedade que pretende se manter unida, constrange comportamentos que ameacem a integridade do coletivo. Assim, devido ao preconceito e tabu criado em relação aos que fazem uso de entorpecentes, a população os considera patológicos e tende a isolá-los. Dessa forma, não há um diálogo entre a comunidade e os usuários adoecidos, pois, sem um incentivo coletivo eles encontram dificuldade em enfrentar os problemas e buscar tratamento adequado.

Sendo assim, somando-se os aspectos supracitados, observa-se a necessidade de medidas que mitiguem os desafios do tratamento de dependentes químicos no Brasil. Portanto, é essencial que instituições sociais, como a Igreja – por meio de palestras – e ONGs – por intermédio de publicidades em revistas, jornais ou televisão – conscientizem a população acerca das dificuldades enfrentadas pelos dependentes que são excluídos e sobre a importância de acolhe-los. Para que, desse modo, tais pessoas sejam estimuladas a buscarem ajuda e assim possam ser reinseridas na sociedade. Ademais, o Governo deve, por meio de programas assistenciais, destinar verbas para contratar profissionais capacitados, que busquem auxiliar os usuários e não os coibir.