Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 19/09/2019

Kurt Cobain, ícone do movimento grunge, era um artista brilhante, porém, uma profunda melancolia e dores no estômago o levou a consumir heroína. Com efeito, passou por diversas clínicas de reabilitação mas nunca deixou o vício, pelo contrário, se matou com uma dose letal da droga e atirou em sua própria cabeça. No que tange o tratamento de dependente químicos no Brasil, existe aspectos que dificultam o a libertação dos usuários: o primeiro está relacionado à desumanização dos dependentes químicos e a falta da empatia médica; o segundo aspecto se relaciona ao tratamento forçado que muitos interventores impõe ao usuário sem um conhecimento deste.

O tratamento de dependentes químicos é um processo que requer uma aproximação e criação de laços com o viciado, no entanto a sociedade descarta e marginaliza esses indivíduos. Nesse viés, o filósofo Michel Foucault critica essa postura desumanizadora no livro “História da Loucura”, no qual todo tipo de distúrbio psíquico é encarado como anormal pela medicina, e a dependência química é encarado somente em nível biológico. Ademais, essa definição médica é aderida por toda a população que já não vê o usuário como um ser profundo e humano. Desse modo, a aproximação médica e uma definição mais humana desses distúrbios são essenciais para se combater o preconceito contra as vítimas dessas substâncias.

Além disso, é fundamental que haja diálogo entre parentes, corpo médico e o usuário para que o tratamento tenha efeito positivo. Nesse contexto, é essencial que a reabilitação não seja forçada, por exemplo o filme “Bicho de Sete Cabeças” relata a vida de  Austregésilo Bueno, um usuário de maconha, que é internado em um manicômio por seu pai. Contudo, o jovem nunca teve um diagnóstico médico e passou por diversos tratamentos de choque que o traumatizou, e a família se mostrou indiferente aos relatos dele até ele realmente tentar se matar. Dessa forma, é importante a mediação de profissionais no diálogo e compreensão da vontade do dependente químico para reabilitá-lo.

Dado o exposto, é crucial a intervenção do Ministério da Saúde, por intermédio das instituições de tratamento de dependentes químicos, a promoção de uma maior burocracia no processo de internação e admissão de profissionais nessas instituições. Por esse ângulo, médicos devem passar por testes psicológicos no recursos humanos, afim de ser considerado apto a lidar de forma mais próxima e não somente profissional com os dependente, visto que , estão em situação de fragilidade física e mental. Ademais, a internação deve passar, primeiramente, por sessões de conversas entre família e usuário, sendo intermediada por psicólogos e psiquiatras. Com isso, a internação forçada será combatida e a relação entre médico e paciente será mais estreita, o que encorajará o usuário a querer se tratar.