Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 25/09/2019
O consumo de psicotrópicos acompanha a história da humanidade, seja por motivos religiosos ou recreacionais. No entanto, nos últimos séculos, a sua utilização passou a ser considerada como um problema, ao ponto de ser estabelecida a “Lei Seca” nos Estados Unidos que proibiam a comercialização de bebidas alcoólicas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a dependência química como doença que precisa de tratamento. Mas, apesar de diversas políticas, o número de dependentes vem aumentando, constituindo um importante problema social.
Em primeira análise, ressalta-se que a dependência química é uma doença singular, onde o portador, além do descontrole sobre seus impulsos, não reconhece ter o problema. Isso o faz acreditar que não precisa de ajuda médica para superar o vício. Por outro lado, conforme o médico Drauzio Varella, o abuso de drogas leva a diversos malefícios à saúde do dependente, além de diversos reflexos negativos em suas atividades produtivas e no meio familiar. Configurando-se, assim, como um evidente caso de saúde pública.
Ademais, observa-se que as políticas públicas do Ministério da Saúde (MS) para prevenção da dependência química no Brasil, não vem almejando os seus resultados, pelo crescente número de dependentes. Não há agressividade do sistema na prevenção, sendo oferecida ajuda só aos que voluntariamente a buscam, quando a imensa maioria não a busca pelo simples motivo de não reconhecer o problema. A prevenção não é realizada no sentido de se buscar na comunidade pessoas no início da vício, ou mesmo aquelas já dependentes e que não o admitem.
Pelo exposto, urge que o MS precisa elaborar campanhas para combate e prevenção à dependência, utilizando das Unidades Básicas de Saúde, por estarem próximas das comunidades, para realizar a identificação e triagem de portadores de suas respectivas áreas, incentivando a reconhecerem os malefícios do vício e encaminhando ao tratamento quando necessário. Assim, poderemos observar uma redução no problema.