Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 27/09/2019
No século passado, a Constituição Federal de 1988 criou o Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar os doentes da sociedade brasileira. Entretanto, quando se observa o elevado número de dependentes químicos, seja pelo desinteresse dos usuários em procurar tratamento, seja pelo estigma social enfrentado por essas pessoas, percebe-se que o SUS, nesse quesito, não está cumprindo sua função. Nesse sentido, é preciso entender suas verdadeiras causas para solucionar o problema.
Primeiramente, convém ressaltar que os dependentes não reconhecem o vício e, consequentemente, não buscam ajuda médica. Assim, o primeiro passo para resolução do problema não é dado. Segundo Oscar Wilder, “O primeiro passo é o mais importante na evolução do homem ou nação”. Consequentemente, as taxas de mortalidade crescem. No Brasil, o cantor Raul Seixas morreu devido ao vício em álcool e a cantora Elis Regina morreu de overdose. Tal problemática representa um grave retrocesso.
Ademais, é importante destacar que o preconceito e discriminação que a sociedade pratica contra os usuários de drogas, também, é um dos motivos do problema. De acordo com o escritor inglês William Hazlitt, “O preconceito é filho da ignorância”. Acerca dessa premissa, os dependentes não vão tratar seu vício e poderão entrar em um quadro depressivo. A exemplo disso, temos o cantor brasileiro Renato Manfredini Júnior que entrou em depressão por conta do vício em álcool e cocaína. Assim, fica evidente o problema para o tratamento dos dependentes químicos.
Parafraseando o poeta Carlos Drummond, para que se retire as pedras do meio do caminho, destarte, é mister que o Estado tome providências. Para conscientização da sociedade brasileira sobre o assunto, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que ajudem os dependentes a reconhecerem o vício e a importância do tratamento e advirtam ao povo brasileiro o efeito maléfico do preconceito contra essas pessoas. Somente assim, o SUS irá cumprir sua função e os dependentes químicos serão tratados.