Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 23/10/2019

No filme “Sem Limites”, um escritor desconhecido passa a obter sucesso profissional e financeiro após utilizar uma droga que aumenta todas as capacidades mentais. Fora da ficção, o Brasil enfrenta um desafio relacionado ao tratamento e a ressocialização dos dependentes químicos. Problemática essa que está ligada ao tabu que cerca o debate sobre as drogas, bem como a abordagem da população brasileira quanto a esse assunto que, no geral, favorece tratamentos agressivos que são de baixa eficiência na adesão dos dependentes. Esse cenário, então, necessita de medidas para sua resolução.

Em primeiro lugar, é válido salientar que, segundo a Organização Mundial da Saúde, a dependência química é considerada doença. Dessa maneira, a utilização dessas substâncias trazem diversos problemas para os indivíduos, de modo que o adoecimento físico e psicológico são os mais predominantes. Além disso, pelo fato da maior parte dos dependentes conviverem em locais com precariedade de segurança, esses acabam por adquirirem comportamentos violentos que podem ser um obstáculo na sua adesão a certos tratamentos.

Ademais, segundo o ativista Luther King, a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar. Seguindo a mesma linha de raciocínio, é possível afirmar que o uso das drogas está intimamente ligado a exclusão social. Isso porque é comum observar um número significativo de pessoas pertencentes à classes sociais menos favorecidas e que possuem algum tipo de dependência química, como indivíduos com problemas financeiros ou até moradores de rua. Essas pessoas passam a considerar a droga como um escape para problemas em que têm grande dificuldade de resolver e, por insegurança, não procuram ajuda.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Nesse sentido, para que um maior número de dependentes químicos seja tratado e que o problema possa ser evitado ainda no começo, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Cidadania  e Organizações não Governamentais, por meio do direcionamento de impostos, crie programas que, além de desconstruir o tabu das drogas por meio de diálogos entre dependentes e seus familiares, instruam, com aulas teóricas e dinâmicas, sobre os primeiros sinais que o vício nas drogas pode emitir, de modo a facilitar sua erradicação. Somente assim o Brasil pode avançar mais um passo no caminho para o desenvolvimento.