Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 29/10/2019
O filósofo Francis Bacon, em uma de suas premissas, afirma que o comportamento humano é contagioso – torna-se enraizado e frequente à medida em que se reproduz – o que pode ser observado na quantidade considerável de usuários de drogas existentes no Brasil, sujeitando-se a questão da necessidade de tratamento de tais dependentes. Todavia, tamanho procedimento não é realizado de forma efetiva, dificultando a adequada reinserção do subalterno na sociedade e, com isso, a execução de sua cidadania. Nesse sentido, percebe-se que essa problemática é sustentada, sobretudo, pela insuficiência de recursos advindos de processos políticos democráticos e pelo preconceito pré-existente na agremiação contemporânea, submetendo-se à adoção de medidas que visem mitigar esse conflito.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que, hodiernamente, os investimentos governamentais que se referem ao abuso de substâncias coligativas estão direcionados na punição como solução, tomando como base a política de combate ao tráfico. Contudo, essa preferência acarreta na carência de montantes destinadas à esfera da terapia, arrevesando os aspectos quantitativos, como número de centros de reabilitação, profissionais capacitados e medicamentos. Com isso, os subjugados enfrentam obstáculos para minimizar o respectivo estorvo e, assim, o corpo social não funciona harmonicamente como deveria, conforme explica o sociólogo Émile Durkheim.
Em segundo plano, a falta de socialização, de sociabilidade e a individualidade típica da aristocracia moderna – conforme apresenta o filósofo polonês Zygmunt Bauman – são fatores que submetem o homem à angústias, sejam elas financeiras, psicológicas ou sociais. Desse modo, a comunidade ainda é repulsa com os utilizadores de entorpecentes, considerando-os patológicos e preferindo isolá-los. Consequentemente, não há estímulo à consciência crítica individual como incentivo coletivo para que haja a procura de atendimento médico, o que impõe limites à efetividade desse mecanismo.
Tendo em vista os argumentos supracitados, observa-se a indispensabilidade de ações que objetivem atenuar os desafios abordados ao decorrer da leitura. Para tanto, o Governo deve, por meio de programas assistenciais e de uma legislação pró-eficiente referente ao contexto exposto, destinar verbas para a recapacitação dos indivíduos intoxicados, a fim de haja a construção e manutenção de polos e clínicas direcionadas à remoção das devidas propriedades químicas inseridas no corpo do sujeito. Ademais, é essencial que instituições sociais, como ONG’s voluntárias, por intermédio de publicidades na televisão, em revistas e jornais, conscientizem a população acerca da importância de incentivar a conduta correta diante dessa totalidade, detalhando ativamente o exercício crítico, político e civil do senso comum. Assim, será traçado um caminho para uma atmosfera mais empática e pensante.