Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 01/11/2019

No anacrônico “mito da caverna”, do filósofo grego Platão, é dito sobre os indivíduos que se encontravam amarrados devido a seus conceitos errôneos acerca da sociedade, contudo, na narrativa, com esforço próprio era possível sair desse buraco e enxergar a verdade.Paralelamente, a fábula se assemelha a realidade dos dependentes químicos brasileiros, pois existe o estigma relativo ao tratamento ,aliado a demora do viciado para a aceitação de sua condição e solicitar apoio.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o preconceito pertinente à terapia do adicto colabora com o problema. Nesse sentido, o sociólogo Émile Durkheim explica que todo comportamento que foge da norma é imediatamente coagido por um força corretora do coletivo social. Dessa maneira, o cidadão viciado  em substâncias químicas é visto em uma situação de abandono ao mesmo tempo que não consegue largar as drogas, afinal sua conduta deve ser reprimida tal como se apaga uma mancha de tinta, sem tempo para deixar contaminar o resto dos “habitantes de bem” do país da democracia.

Além disso,a morosidade no que concerne ao tratamento nos sistemas de saúde dificulta a recuperação dos que estão nessa situação. Sob esse prisma, o sociólogo Karl Marx, disserta sobre a burocratrização, sendo essa na visão do renomado autor, nada menos que uma estrutura de poder das classes dominantes. Assim, os procedimentos que dizem assegurar uma melhora no atendimento se mostram um empecilho na hora dos dependentes buscarem ajuda- longas filas, não prioridade no atendimento, pois esses cidadãos nao conseguem muito menos adquirir consciência de que precisam de ajuda muito menos largar os vícios por conta própria, sendo a morosidade desistimulante e um meio de gastar menos com os dependentes.

Em suma, a ajuda necessária em prol desse público vem dos próprios indivíduos impactados e da sociedade civil.Logo,cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras com depoimentos de ex-viciados nas escolas e nas demais instituições do Brasil, promover a conscientização da sociedade sobre a importância do apoio de toda a coletividade para salvar essas almas, com vistas a se criar redes de solidariedade com os adictos e o auxílio desses  com intuito de que busquem tratamento.Ademais,o Governo Federal deve alocar recursos com o objetivo de aumentar o efetivo de profissionais: psicólogos, médicos, assistentes sociais,mas também ampliar o horário de atendimento dos postos de saúde e providenciar um cadastro de pessoas com problemas com substâncias, com o propósito de dar urgência ao amparo a esse público, bem como visibilidade social. Só assim, os seres humanos quebraram as correntes das dependências e dos preconceitos tal como no mito de Platão.