Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 29/02/2020
Desde a Antiguidade Clássica, a humanidade já fazia uso de substâncias psicoativas, sendo comumente empregadas em rituais indígenas. Hodiernamente, a dependência química causada pelo consumo de drogas, lícitas ou não, é um problema social e de saúde pública, pois afeta a vida física e emocional da pessoa e, por consequência, a vivência em sociedade. Nesse contexto, garantir o tratamento desses cidadãos torna-se mais complicado, com isso, dois aspectos fazem-se relevantes: o preconceito social e a insegurança pública.
Inicialmente, a teoria do organismo social proposta pelo sociólogo francês Émile Durkheim, define a sociedade como um corpo vivo e, caso um grupo social esteja sendo afetado por alguma problemática, toda a sociedade é afetada. Analogamente, os dependentes químicos enfrentam o julgamento social, fato que leva a exclusão do indivíduo da sociedade e, como consequência, dificuldades de acesso ao tratamento. Por certo, o estigma de drogado vincula a pessoa à marginalização, de tal forma que o dependente sinta-se isolado e tenha seu sofrimento negligenciado, por vezes, a estrutura familiar da pessoa viciada é comprometida pelo preconceito, desse modo, ocorre a ruptura de vínculos afetivos entre usuário e família, razão que reduz ainda mais as chances de terapia contra o vício.
Em uma segunda análise, a falta de segurança pública está associada a dependência química. Conforme pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no ano de 2018, os estados brasileiros com maior números de mortes violentas são rota de comércio de drogas, ou seja, o tráfico, que é sustentado pelo vício, gera situações de violência. Outrossim, a Cracolândia, no estado de São Paulo, é uma localidade famosa por ser uma espécie de “área livre” para o uso e comércio de drogas. Nessa região, os confrontos entre policiais e usuários são constantes, o que causa medo aos comerciantes e moradores locais. Esses cenários são exemplos de insegurança, nos quais o preconceito é disseminado e, como resultado, o auxílio aos dependentes é condenado.
Portanto, constata-se que existem obstáculos para assegurar o tratamento de dependentes químicos, configurando-se como um desafio para a sociedade brasileira. Dessa maneira, é preciso que a mídia, que tem poder de alcance entre as massas, oriente a população acerca da dependência química, por meio de propagandas que abordem a temática. Ademais, é necessário que o Estado, que é encarregado da gestão dos recursos, invista na segurança pública em relação ao combate as drogas, por meio de treinamento para policiais, capacitando-os a lidar com dependentes químicos. Só assim, pode-se promover a inclusão desse grupo no ambiente social, garantir a segurança do povo e, consequentemente, condicionar acesso ao tratamento.